Política
Valdemar Costa Neto critica carta de Flávio Bolsonaro
Declarações do senador vão de encontro à posição do PL
O presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, criticou publicamente a carta divulgada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após sua chegada aos Estados Unidos. No texto, o senador, derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições, não reconhece o resultado das urnas e se apresenta como "líder do Brasil", postura reprovada pelo dirigente partidário.
A carta foi publicada após Flávio desembarcar com a família nos Estados Unidos, em descumprimento de decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que o impedia de deixar o país. Diante da repercussão negativa, Flávio apagou a primeira versão do texto e divulgou outra, alterando algumas expressões.
Na versão revisada, Flávio substituiu termos como "verdadeiro presidente do Brasil" e "presidente eleito" por "líder do Brasil" e "líder". Mesmo assim, manteve alegações de fraude eleitoral, sem apresentar provas, e defendeu que o resultado não deveria ser reconhecido.
Ao chegar para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre pena em regime domiciliar humanitário por questões de saúde após condenação por tentativa de golpe de Estado, Valdemar foi direto ao comentar o episódio: "Não gostei. Não gostei", declarou à imprensa, demonstrando desconforto com o posicionamento do senador.
As declarações de Flávio também contrariam a posição oficial do PL, que reconheceu o resultado das eleições, embora tenha solicitado esclarecimentos à Justiça Eleitoral. No mesmo pleito, o partido elegeu 121 deputados federais e 19 senadores. A vitória de Lula foi confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sem que fossem apresentadas provas que sustentassem as acusações do parlamentar.
A carta de Flávio provocou reações de lideranças políticas e partidos de diferentes correntes. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), defendeu o respeito ao resultado das urnas, enquanto siglas como União Brasil, PSD, PSDB e MDB repudiaram o teor do documento e reafirmaram a legitimidade do processo eleitoral.
Segundo informações divulgadas por um portal de notícias nacional, Valdemar pretende discutir com Jair Bolsonaro os impactos da fuga de Flávio e da repercussão da carta.
De acordo com apuração, o dirigente teme que o episódio enfraqueça o PL em um momento de crescimento político da sigla, ao mesmo tempo em que disputas internas pela liderança do bolsonarismo se intensificam, incluindo a possibilidade de Michelle Bolsonaro ocupar esse espaço.
