Política

Dino aciona investigação de financiamento estrangeiro na campanha de Flávio

Apuração inclui tratativas atribuídas à publicidade eleitoral contratada no exterior e possíveis manipulações de plataformas

Por Redação com Assessoria 27/10/2026 16h04
Dino aciona investigação de financiamento estrangeiro na campanha de Flávio
A decisão também abrange suspeitas de vínculos entre interesses econômicos em minerais estratégicos - Foto: Reprodução

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (27) que a Polícia Federal (PF) instaure um inquérito para apurar possíveis interferências estrangeiras no processo eleitoral brasileiro, incluindo suspeitas de financiamento irregular de campanha e manipulação de algoritmos de plataformas digitais. A investigação envolve a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais de 2026.

A decisão foi tomada no âmbito da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 1178. Segundo informações divulgadas pela Agência Brasil, Dino determinou que as suspeitas sejam apuradas em procedimentos próprios, sob supervisão do STF.

Uma das frentes do inquérito envolve a Rockbridge Network, organização conservadora dos Estados Unidos. A suspeita é de que os empresários Tallis Gomes e Pedro Sang tenham atuado em tratativas para obter recursos destinados à campanha de Flávio Bolsonaro.

A Polícia Federal deverá investigar a natureza dessas negociações e verificar se houve oferta de dinheiro, prestação de serviços ou outras vantagens econômicas relacionadas à candidatura. Também será apurada a eventual conexão entre essas tratativas e interesses econômicos ligados à exploração de terras raras e outros minerais estratégicos brasileiros.

A Constituição Federal proíbe partidos políticos de receberem recursos financeiros de entidades ou governos estrangeiros. A investigação deverá esclarecer se houve alguma conduta irregular, sem que as suspeitas representem, por si só, comprovação de crime.

Outro eixo da apuração envolve possíveis manipulações algorítmicas por empresas de internet para favorecer ou prejudicar candidaturas. Entre os pontos que deverão ser examinados estão a publicidade eleitoral veiculada por perfis sediados no exterior, a origem dos pagamentos e a identidade dos responsáveis pelas contratações.

Documentos mencionados no material que deu origem à denúncia também levantam suspeitas sobre o tratamento dado a conteúdos relacionados às candidaturas de Lula e Flávio Bolsonaro em plataformas digitais. As alegações deverão ser verificadas durante a investigação, e não devem ser tratadas como irregularidades comprovadas.

A apuração inclui ainda o uso de conteúdos relacionados à plataforma de apostas Polymarket e possíveis conexões entre a atuação de grupos estrangeiros, o financiamento político e interesses econômicos no Brasil.

A decisão prevê a comunicação a órgãos federais para auxiliar no esclarecimento dos fatos, incluindo instituições de inteligência e fiscalização financeira. A Polícia Federal deverá reunir informações sobre a origem dos recursos, os envolvidos nas tratativas e a eventual participação de pessoas ou entidades brasileiras.

A investigação busca esclarecer se houve interferência externa no processo eleitoral e se as condutas relatadas podem configurar violações à legislação brasileira. Até que os fatos sejam apurados, as denúncias permanecem no campo das suspeitas.