Política
Entenda de onde vieram os 10,3 milhões de votos a mais de Lula
No primeiro turno, Lula recebeu 53,8 milhões de votos. No segundo, chegou a 64,2 milhões
Lula recebeu 10.376.694 votos a mais no segundo turno do que no primeiro. O crescimento, que vem provocando questionamentos nas redes sociais, é explicado pelas possibilidades de transferência de votos e pelo aumento da participação dos eleitores.
No primeiro turno, Lula recebeu 53,8 milhões de votos. No segundo, chegou a 64,2 milhões. Flávio Bolsonaro também cresceu, passando de 56,1 milhões para 59,8 milhões.
De onde vieram tantos votos? A primeira resposta está nos números do TSE. Os candidatos eliminados no primeiro turno receberam juntos 9,3 milhões de votos. Além disso, quase 3 milhões de eleitores a mais compareceram às urnas no segundo turno. Os votos em branco caíram em 870 mil e os nulos, em outros 950 mil.
Somados, votos em outros candidatos, qyda de nulos, brancos e abstenção, representam 14,09 milhões de votos potencialmente disponíveis para Lula e Flávio o segundo turmo, exatamente o crescimento conjunto registrado pelos dois candidatos. Não há, portanto, contradição matemática no resultado. No entanto, a mobilização nas ruas e nas redes pode ter feito a diferença entre o primeiro e o segundo turno.
O general Janones
A campanha de Lula também contou com uma mobilização digital que ganhou força depois do primeiro turno. O deputado André Janones organizou o Exército do Lula, canal de WhatsApp que ultrapassou 10,5 milhões de seguidores na reta final da disputa. Por meio de lives, vídeos e mensagens, estimulou a participação de apoiadores nas redes e nas ruas.
A atuação ganhou o reconhecimento do próprio Lula, que chamou Janones de seu general digital antes e após a vitória. A coincidência entre os mais de 10 milhões de seguidores do canal e o crescimento da votação de Lula chama atenção. Janones ajudou a mobilizar a militância, como não se via há muito tempo no Brasil. A dimensão exata dessa contribuição ainda depende de estudos.
Vitórias nos municípios e em Minas
A virada de Lula não ocorreu apenas no número total de votos. O presidente também ampliou a quantidade de municípios em que venceu. No primeiro turno, havia conquistado 2.663 cidades. No segundo, passou a vencer em cerca de 2,9 mil municípios. Flávio Bolsonaro, que havia liderado em 2.906 cidades, terminou com aproximadamente 2,7 mil.
Segundo levantamento da CNN Brasil, Lula conseguiu reverter o resultado em 213 municípios onde Flávio havia vencido no primeiro turno. Minas Gerais concentrou 76 dessas viradas. Foi justamente em Minas que ocorreu uma das mudanças mais importantes. Lula havia perdido o primeiro turno no Estado por quase 589 mil votos. No segundo, ganhou por 109 mil, depois de ampliar sua votação em mais de 1,16 milhão de votos.
O resultado manteve uma tradição da política brasileira: desde 1989, todos os presidentes eleitos também venceram em Minas Gerais.
Os números mostram que a recuperação de Lula foi além do Nordeste. Ele cresceu no Sudeste, reduziu desvantagens e conquistou municípios que haviam votado em Flávio no primeiro turno. A mobilização nas ruas e nas redes fez parte dessa reação. Mas o avanço também envolveu votos de candidatos eliminados, maior comparecimento e redução de votos brancos e nulos. O peso individual de cada fator ainda precisa ser medido.
A matemática explica como a virada foi possível. O peso de cada fator na decisão dos eleitores ainda precisa ser estudado.
Fique por dentro: (Congresso em Foco)O general
André Janones, o herói improvável da vitória de Lula
Com um exército digital de milhões de seguidores, deputado ajudou a mobilizar apoiadores durante o segundo turno e ganhou protagonismo em uma campanha marcada por grandes manifestações de rua.
Congresso em Foco
25/10/2026 | Atualizado às 22:56
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Na guerra de narrativas que marcou o segundo turno das eleições presidenciais de 2026, André Janones ganhou uma patente. O deputado federal virou general de um exército digital com milhões de seguidores. Luiz Inácio Lula da Silva era o marechal. Entre missões distribuídas pelo WhatsApp, transmissões ao vivo e convocações que começavam quase sempre com um sonoro "URGENTE!", Janones transformou um canal de mensagens em uma das mais impressionantes estruturas de mobilização da campanha.
Não havia quartel, farda ou continência. Havia celulares, grupos, vídeos e uma multidão disposta a atender ao chamado. Em três semanas, Janones conseguiu dar organização, identidade e propósito a uma militância que precisava reagir à vantagem conquistada por Flávio Bolsonaro no primeiro turno.
O exército que formou tinha uma característica fundamental: não exigia carteirinha partidária. Cabiam petistas históricos, eleitores de outros partidos, militantes de esquerda e pessoas que, mesmo sem identificação com o PT, queriam participar da campanha de Lula. Janones ofereceu a todos uma bandeira comum, uma missão e um lugar na batalha.
Enquanto multidões ocupavam as ruas em manifestações de apoio ao presidente, milhões de pessoas se reuniam nas plataformas digitais. As imagens dos atos circulavam, os vídeos eram compartilhados e as mensagens atravessavam grupos e redes. A campanha ganhava uma segunda vida depois que os palanques eram desmontados.
Janones encontrou nesse movimento seu campo de atuação. E fez dele uma trincheira permanente.

