Política
Exército avalia possíveis impactos de um governo Flávio Bolsonaro nas Força Armadas
Segundo um jornal de grande circulação nacional, membros da cúpula militar brasileira avaliam, de maneira reservada, os possíveis desdobramentos de uma eventual vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na corrida presidencial
Integrantes do Alto Comando do Exército discutem reservadamente os possíveis impactos de uma eventual eleição de Flávio Bolsonaro à Presidência. As conversas giram em torno de nomes para o Ministério da Defesa e para o comando da Força, refletindo tanto expectativas quanto receios sobre o papel dos militares em um novo governo vinculado ao clã Bolsonaro.
Segundo um jornal de grande circulação nacional, membros da cúpula militar brasileira avaliam, de maneira reservada, os possíveis desdobramentos de uma eventual vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na corrida presidencial.
De acordo com a apuração, as discussões ocorrem em grupos de WhatsApp, telefonemas e reuniões informais paralelas aos encontros oficiais do Alto Comando do Exército, em um momento em que as Forças Armadas ainda buscam se recuperar do desgaste institucional provocado pela proximidade com o governo Jair Bolsonaro (2019-2023), atualmente preso por tentativa de golpe de Estado e cumprindo pena em regime domiciliar humanitário por razões de saúde.
Entre os oficiais-generais, prevalece a avaliação de que um eventual governo Flávio teria à frente do Ministério da Defesa um civil alinhado ao bolsonarismo. O nome mais citado é o de Marcos Degaut, ex-secretário de Produtos de Defesa e ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Degaut chegou a ser cogitado para o Itamaraty, mas sua trajetória recente o aproxima mais da área de Defesa e das articulações internacionais do setor.
A possível indicação de Degaut levanta questionamentos entre militares devido à sua passagem pelo Edge Group, conglomerado de defesa dos Emirados Árabes Unidos que ampliou sua presença no Brasil ao adquirir empresas estratégicas como a fabricante de mísseis SIATT e a empresa de engenharia Akaer. Mesmo sob sigilo, o Exército preferiu não comentar as especulações sobre possíveis cargos em um eventual governo.
Para o comando da Força, o nome mais mencionado é o do general Francisco Humberto Montenegro Júnior, atual número dois do Exército. Considerado um dos membros mais políticos do Alto Comando, ele é visto como capaz de conduzir a transição entre governos de diferentes orientações ideológicas. No entanto, seu principal obstáculo é a tradição de se escolher oficiais mais antigos na hierarquia, o que favoreceria o general Luciano Guilherme Cabral Pinheiro.
A sucessão também é influenciada pela relação com o atual comandante do Exército, general Tomás Ribeiro Paiva, que defendeu publicamente a legalidade e a despolitização das Forças Armadas durante a crise que antecedeu os eventos de 8 de janeiro de 2023.
Outros nomes também aparecem na disputa pelo comando da Força, como Kleber Nunes de Vasconcellos, comandante de Operações Terrestres e ex-paraquedista, perfil que lhe garante simpatia entre setores bolsonaristas, e Luiz Fernando Baganha, atual diretor de pessoal, que atuou no Gabinete de Segurança Institucional (GSI) durante o governo Bolsonaro e foi subordinado direto do general Augusto Heleno, também preso por participação na tentativa de golpe de Estado.
Apesar das especulações, os militares tratam o tema com cautela e evitam se envolver na campanha de Flávio Bolsonaro para não constranger o comandante Tomás Ribeiro Paiva, segundo a apuração.
Embora os generais cotados sejam identificados com posições mais conservadoras, nenhum deles é atualmente associado às articulações golpistas que marcaram parte da cúpula militar no governo anterior.
A possível relação entre um futuro governo Flávio e as Forças Armadas ainda gera dúvidas. Alguns interlocutores avaliam que a aproximação pode ser limitada pelo histórico de atritos entre Jair Bolsonaro e os comandos militares, pela falta de apoio das Forças à tentativa de ruptura institucional de 2022 e pelas controvérsias que envolvem o clã Bolsonaro.
Na Marinha e na Aeronáutica, as discussões são ainda mais discretas, enquanto parte dos militares acompanha com expectativa a situação de oficiais condenados por envolvimento na trama golpista e o futuro de eventuais punições disciplinares, conclui a reportagem.
Por Sputnik Brasil
