Política
Abin alerta para risco crítico de interferência dos EUA nas eleições brasil
O relatório foi encaminhado no final de agosto à Presidência da República, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Ministério da Justiça
A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) identificou um risco elevado de influência ou interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras deste ano, apontando para uma escalada da pressão exercida pelo país norte-americano sobre o Brasil. O relatório foi encaminhado no final de agosto à Presidência da República, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Ministério da Justiça.
Segundo o documento, as ações dos Estados Unidos em relação ao Brasil se intensificaram nos últimos meses, em consonância com a estratégia do governo de Donald Trump para a América Latina. De acordo com a Abin, um dos objetivos dessa política é reduzir a presença de potências consideradas rivais de Washington na região.
O relatório destaca que os Estados Unidos buscam limitar a influência chinesa e de outros países sobre ativos estratégicos, riquezas naturais e estruturas de infraestrutura latino-americanas. A Abin também aponta uma estratégia de apoio à ascensão de governos conservadores alinhados ao Executivo norte-americano.
Além disso, a agência menciona as sanções impostas pelos Estados Unidos a brasileiros e empresas nacionais, avaliando que as medidas representam uma nova fase da pressão sobre o país. O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, é citado no relatório, que atribui à sua atuação um viés ideológico e a intenção de influenciar a política externa de países da região.
Nesta semana, o presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), destacou manter boas relações com o presidente dos Estados Unidos, mas ressaltou que "sempre aparece alguém".
Em entrevista à Rádio Itatiaia, Lula comentou sobre um documento recentemente divulgado pela mídia brasileira, no qual a Casa Branca teria feito exigências políticas para retomar negociações sobre tarifas com o Brasil.
"Nem discutimos o documento, porque era inaceitável o documento de um país que ia ter prioridade na riqueza mineral do nosso país. Esse documento não foi discutido, não será discutido e não está discutido", afirmou à emissora mineira.
Segundo Lula, sua relação com Trump é cordial. "Eu trato ele bem, ele me trata bem. O problema é que quando nós terminamos a reunião, tudo bem, aparece alguém que não está tudo bem."
"Eu acho que é o secretário do Departamento de Estado, o Marco Rubio. Eu acho que é ele. Parece que ele não gosta da América Latina, parece que ele não gosta do Brasil. Então ele está sempre fazendo as coisas contrárias àquilo que o Trump acerta", acrescentou.
Por Sputinik Brasil
