Política

Lula busca conter crise após revelação de mensagens entre Moraes e ex-banqueiro

Na terça-feira (1º), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu-se com Edson Fachin, presidente do STF, para discutir o impacto das mensagens trocadas entre Moraes e Vorcaro

Por Sputnik Brasil com Redação 03/09/2026 05h05
Lula busca conter crise após revelação de mensagens entre Moraes e ex-banqueiro
Foto: © Foto / Divulgação / Ricardo Stuckert

Lula articula estratégia para minimizar danos políticos após a divulgação de mensagens que revelam proximidade entre Alexandre de Moraes, ministro do STF, e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O episódio pressiona o Supremo e leva o PT a tentar blindar a campanha de reeleição do presidente.

Na terça-feira (1º), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu-se com Edson Fachin, presidente do STF, para discutir o impacto das mensagens trocadas entre Moraes e Vorcaro, que colocaram o Supremo sob intensa pressão pública. O governo agora busca se distanciar do ministro, mesmo após anos de proximidade, para evitar que a crise prejudique a campanha de Lula.

As conversas divulgadas do celular de Vorcaro mostram mensagens supostamente trocadas com Moraes, incluindo um pedido do ex-banqueiro sobre a possibilidade de deixar o país. A exposição da relação acendeu alertas no governo e no STF, ampliando o desgaste institucional e criando um ambiente de crise às vésperas das eleições, segundo jornal de grande circulação.

No mesmo dia, Lula também foi procurado pelo decano do STF, Gilmar Mendes, que alertou para a falta de apoio das instituições à cúpula da Polícia Federal (PF). O aviso ocorre em meio ao embate entre o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o ministro André Mendonça, responsável pelo relatório que tornou públicas as mensagens entre Moraes e Vorcaro.

Na manhã de quarta-feira (2), Lula alinhou com aliados que a posição pública do grupo será a de que ninguém está acima da lei — discurso já defendido por Edinho Silva, presidente do PT e coordenador da campanha. Lula deve adotar tom cauteloso e só comentar o tema quando provocado em entrevistas, evitando transformar o caso em pauta do governo.

Edinho divulgou vídeo afirmando que "o sistema apodreceu" e defendendo mudanças estruturais no Judiciário e no sistema político, como a criação de um código de ética, o fim dos supersalários e o combate à promiscuidade entre interesses públicos e privados. Sem citar Moraes, reforçou que a campanha de Lula defende reformas profundas para enfrentar privilégios e corrupção.

Aliados do presidente destacam que Lula já cobrou explicações públicas até do próprio filho, Lulinha, investigado em três inquéritos, e consideram natural adotar postura semelhante com Moraes. O presidente, porém, não pretende abordar o tema espontaneamente, por avaliar que não cabe ao Executivo conduzir esse debate, apesar das tentativas da oposição de relacionar os episódios. Em abril, Lula já havia alertado Moraes sobre o risco do caso Vorcaro comprometer sua biografia.

A relação entre Lula e Moraes sofreu abalos após essa declaração, mas foi retomada nos meses seguintes. Moraes manteve proximidade com o governo e chegou a sediar, em agosto, a reunião que reaproximou Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil). Agora, o escândalo reacende tensões e alimenta ofensiva bolsonarista pelo impeachment de Moraes, além de provocar manifestação do líder do Senado sobre o caso "Dark Horse", sugerindo que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria pedido R$ 130 milhões ao ex-banqueiro.

O desgaste do Supremo já vinha sendo monitorado pelo entorno de Lula desde o fim do ano passado, por afetar a popularidade do presidente. A nova crise surge em meio a pesquisas que mostram, apesar do favoritismo, queda nos índices de Lula e avanço de Flávio Bolsonaro, provável principal adversário nas próximas eleições.

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