Política

Lula defende autonomia do Brasil e rejeita 'Guerra Fria' entre EUA e China

A declaração foi feita durante o evento de retomada das operações da fábrica de fertilizantes em Camaçari, na Bahia

Por Sputnik Brasil com Redação 15/05/2026 06h06
Lula defende autonomia do Brasil e rejeita 'Guerra Fria' entre EUA e China
Foto: © Foto / SEAUD/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quinta-feira (14), que o Brasil não deseja uma nova 'Guerra Fria' entre Estados Unidos e China. A declaração foi feita durante o evento de retomada das operações da fábrica de fertilizantes em Camaçari, na Bahia.

"Nós não queremos uma Guerra Fria entre EUA e China. Nós não queremos uma segunda Guerra Fria", ressaltou Lula, ao defender a necessidade de o país negociar de "igual para igual" com as grandes potências.

O presidente também destacou os interesses brasileiros, mencionando conversas recentes com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e apontou a queda nas relações comerciais entre os dois países. "Até 2008 os Estados Unidos foram o mais importante parceiro comercial do Brasil. A partir de 2008 entrou a China. Hoje a China é o dobro do comércio com os Estados Unidos", afirmou. Segundo Lula, isso ocorreu porque "a China teve interesse de investir no Brasil e os Estados Unidos não tiveram".

Lula criticou a dependência externa de fertilizantes, lembrando que o Brasil, grande produtor agrícola, importa cerca de 90% do insumo. "Quando eu não sei governar, eu começo a vender as coisas. Quando eu não sei governar, eu começo a dizer que é ineficiente. Nada é mais importante para o país do que 'ser dono do próprio nariz', do que a gente ter orgulho", completou.

O presidente reforçou a importância de negociar em pé de igualdade com outras lideranças mundiais, citando conversas com Trump sobre temas como combate ao crime organizado e terras raras. "Menos democracia e soberania, porque isso é coisa nossa", destacou Lula, dizendo que não aceita ser tratado com menor valor.

'É caso de polícia', diz Lula sobre áudios de Vorcaro e Flávio Bolsonaro

Após a visita à fábrica, Lula concedeu coletiva à imprensa e preferiu não comentar diretamente os áudios de conversas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o senador Flávio Bolsonaro, que revelam pedidos de dinheiro do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro ao dono do liquidado Banco Master.

"Eu não vou comentar, é um caso de polícia, não meu. Eu não sou policial, não sou procurador-geral. O caso dele é de polícia", afirmou o presidente.

Mais cedo, também em Camaçari, em evento para assinatura da autorização de 1.930 novas moradias do programa Minha Casa, Minha Vida na Bahia, Lula falou sobre mentiras no contexto político, fazendo referência ao episódio dos áudios.

"Vocês estão vendo na televisão. A verdade tarda, mas não falha" e "político que mente deveria cair a língua", disse Lula, sem citar nomes.

Por Sputnik Brasil