Política
Lula quer o apoio de JHC em troca de vaga no tribunal; entenda
PT tenta cobrar um acordo político após indicar a tia do prefeito de Maceió para o STJ, mas JHC teme perder votos de direita se subir no palanque do governo
O PT nacional decidiu cobrar uma fatura que está em aberto desde 2025. O partido tenta trazer o prefeito de Maceió, JHC, para a base de apoio do presidente Lula visando as eleições de 2026. A moeda de troca foi a indicação de Marluce Caldas, tia do prefeito, para uma vaga de ministra no Superior Tribunal de Justiça (STJ). O Planalto esperava que, após esse gesto, JHC desistisse de disputar o governo de Alagoas e passasse a apoiar os aliados de Lula no estado.
O problema é que o acordo não saiu do papel. JHC continua sem definir seu futuro e evita declarar apoio público ao presidente. O motivo é o seu eleitorado em Maceió, que é majoritariamente alinhado a Jair Bolsonaro. Para o prefeito, aparecer ao lado do PT agora pode significar uma perda imediata de votos. Por outro lado, o governo federal sente que entregou um cargo vitalício de alto escalão e não recebeu a lealdade política que foi combinada.
Dentro do diretório petista, o clima é de autocrítica. Interlocutores admitem que o governo errou ao dar a vaga no tribunal sem garantias reais de que JHC cumpriria sua parte. Para tentar resolver o impasse, o presidente do PT, Edinho Silva, foi até Maceió conversar com o prefeito. Ele tenta usar a boa relação pessoal para convencer o gestor de que o melhor caminho é integrar o campo governista, afastando-o das investidas do PL.
Enquanto Brasília tenta o acordo, o cenário local em Alagoas é de conflito. O senador Renan Filho é pré-candidato ao governo e não pretende recuar para dar espaço a JHC. Do outro lado, a oposição oferece apoio ao prefeito, mas impõe uma condição: ele não pode se aliar a Lula. No meio desse fogo cruzado, JHC ganha tempo, enquanto o PT corre para não transformar uma indicação jurídica em um prejuízo político.


