Política
Lula propõe parceria energética com União Europeia e critica protecionismo
As declarações ocorreram durante a cerimônia de abertura da Feira Industrial de Hannover
Em agenda oficial em Hannover, na Alemanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou o protecionismo verde adotado pela União Europeia e afirmou que o Brasil está entre os países menos prejudicados pelo atual conflito no Oriente Médio.
As declarações ocorreram durante a cerimônia de abertura da Feira Industrial de Hannover, onde Lula esteve acompanhado do chanceler alemão Friedrich Merz.
O presidente ressaltou a importância do acordo firmado entre Mercosul e União Europeia, destacando que a iniciativa representa "mais comércio e mais investimentos", o que, segundo ele, resultará em "novos empregos e oportunidades dos dois lados do Atlântico".
Lula também criticou indiretamente países do bloco europeu que, segundo ele, sustentaram de forma equivocada que a agricultura brasileira não é sustentável.
"Nos últimos três anos, reduzimos em 50% o desmatamento da Amazônia e em 32% no Cerrado. E temos um compromisso mais sério de tentar evitar a destruição dos seis biomas que nós temos no Brasil", afirmou o presidente.
Além disso, Lula destacou que o Brasil pode contribuir para que a União Europeia reduza seus custos de energia e descarbonize sua indústria. "Para isso, é essencial que as regras do bloco levem em conta a matriz energética limpa utilizada em nossos processos produtivos", pontuou.
O presidente também abordou o potencial brasileiro em minerais estratégicos, ressaltando que, mesmo com apenas 30% do potencial mineral mapeado, o país possui "a maior reserva mundial de nióbio, a segunda de grafita e terras raras, e a terceira de níquel". Segundo Lula, esses insumos podem ser fundamentais para o desenvolvimento econômico e social do Brasil.
Em relação ao desenvolvimento do setor mineral, Lula afirmou que o Brasil não pretende se limitar ao papel de exportador de commodities e está aberto a parcerias internacionais que envolvam etapas de maior valor agregado e transferência de tecnologia.
Brasil é um dos países menos afetados pela instabilidade no Irã
Segundo o presidente, o impacto dos conflitos no Oriente Médio é menor para o Brasil devido às medidas adotadas pelo governo e à expressiva produção nacional de hidrocarbonetos, tornando o país menos vulnerável à "maluquice da guerra feita com o Irã".
"Nós não estamos sofrendo o aumento do preço do petróleo como muitos países estão sofrendo porque o governo tomou medidas e o Brasil só importa 30% do seu óleo diesel", explicou Lula.
Por Sputnik Brasil

