Política

Filiações do PT geram tensão interna e alteram estratégia eleitoral em Alagoas

Entrada de novos deputados amplia metas da legenda, mas provoca críticas de integrantes sobre alinhamento ideológico

Por Redação com Tribuna 10/04/2026 09h09 - Atualizado em 10/04/2026 09h09
Filiações do PT geram tensão interna e alteram estratégia eleitoral em Alagoas
Paulão, deputado federal - Foto: Edilson Omena

O Partido dos Trabalhadores em Alagoas viveu dias de articulação intensa durante o período da janela partidária, com movimentações que resultaram na filiação dos deputados estaduais Marcos Barbosa (ex-Avante) e Breno Albuquerque (ex-MDB). As mudanças provocaram reconfiguração na estratégia eleitoral da sigla e também geraram divergências internas.

Em entrevista, o presidente estadual do partido, Ronaldo Medeiros, afirmou que as articulações tiveram como principal objetivo fortalecer a chapa para deputado federal.

“O PT se movimentou nesse período com o grande objetivo de viabilizar a chapa de deputado federal, buscando fazer parcerias, e isso foi até o último dia da janela. Nós tínhamos um deputado, hoje temos três deputados na Assembleia Legislativa. Tem eu, o Marcos (Barbosa) e o deputado Breno (Albuquerque), todos tem o compromisso de ajudar, participar decisivamente na montagem dessa chapa de federal e também do apoio a esse projeto político que o PT tem, não só em Alagoas, mas no Brasil de ter o maior número de deputados federais, estaduais e senadores, é importante. Onde nós não pudermos eleger senadores vamos fazer parceiras e apoiar nomes, importante que o próximo governo Lula tenha esse apoio no Congresso que hoje falta”, justificou o parlamentar.

Apesar do reforço político, as filiações não foram recebidas de forma unânime dentro da legenda. A vereadora por Maceió Teca Nelma manifestou insatisfação nas redes sociais e classificou as novas adesões como oportunistas.

“O Partido dos Trabalhadores tem lado, tem história e, acima de tudo, tem valores inegociáveis. Nossa trajetória é marcada pela defesa do povo, da democracia e da justiça social. Por isso, sou firme: não podemos aceitar que figuras com histórico oposto aos nossos princípios, com um legado político danoso para o nosso estado e com condutas nada republicanas tentem usar o partido como abrigo de conveniência. O PT não é refúgio para o oportunismo! Nós temos duas missões para ajudar a salvar o Brasil: reeleger o presidente Lula e eleger deputados comprometidos com a agenda popular. As recentes filiações do PT Alagoas não atendem nem a um critério nem a outro”.

Sem citar diretamente os novos filiados, a vereadora também criticou a ausência de alternativas eleitorais e, ao mesmo tempo, defendeu a liberdade de filiação partidária.

“Não adianta dizermos aos eleitores para eleger melhores deputados se não apresentamos tais alternativas. Defendo a livre filiação de quem chega para construir o projeto coletivo e fortalecer o Governo Lula com ética”.

Internamente, Teca Nelma é apontada como uma das possíveis candidatas a uma vaga na Assembleia Legislativa pela Federação Brasil da Esperança. Antes das novas filiações, a expectativa era ampliar de duas para três cadeiras. Com a chegada dos novos nomes, a meta passou a ser de quatro vagas, mas com menor espaço para novos integrantes sem mandato.

Ronaldo Medeiros, por sua vez, afirmou que o processo de filiação foi discutido nas instâncias internas do partido e seguiu critérios definidos pela legenda.

“Foi um processo bem transparente essa vinda dos deputados para cá foi debatida no Grupo de Trabalho Eleitoral, que nós chamamos GTE, foi debatido na executiva exaustivamente, todos sabiam que isso era uma meta do partido que era fortalecer a chapa de federal, o sistema de federal. Hoje nosso grupo com certeza vai fazer quatro deputados estaduais aqui em Alagoas, e nós queremos manter o Paulão [PT] como deputado federal, e para isso a gente vai trabalhar, e trabalhar muito. Já estamos trabalhando, inclusive”.

Sobre o alinhamento ideológico, o dirigente destacou que os novos integrantes compartilham compromissos com o campo progressista e devem passar por um processo de formação política dentro da sigla.

“São lulistas, tem o compromisso com o campo progressista, e nós temos agora essa tarefa não só de fazer formação política com quem está entrando, mas também com quem está fora do partido e não entrou ainda. Temos que ampliar essas alianças, ampliar e fazer formação”.

O deputado também defendeu a integração entre os membros mais antigos e os recém-chegados, ressaltando a importância da troca de convivências dentro do partido.

“Não tenho nenhum problema em colocar quem não teve a escola que eu tive, eu tive oportunidade de fundar a CUT aqui em Alagoas, fundar o Sindprev, do movimento estudantil, mas muitos não tiveram a trajetória que eu tive”. E garante que na negociação os novatos prometeram buscar isso. “Esse é o grande compromisso, nós dialogamos muito nesse sentido, de que nós temos uma caminhada, e a gente não vai admitir nunca que haja um retrocesso com isso”.

*Com informações de TRIBUNAHOJE