Política
Após reunião no STF, Toffoli deixa caso Master e Mendonça assume
Toffoli deixou a relatoria após reunião reservada entre os ministros do STF, que durou cerca de três horas na tarde da mesma quinta-feira
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), assumiu nesta quinta-feira (12.fev.2026) a relatoria das investigações sobre supostas fraudes no Banco Master. O novo relator foi definido por sorteio eletrônico após Dias Toffoli solicitar sua saída do caso. Nem Toffoli nem o presidente da Corte, Luiz Edson Fachin, participaram do procedimento. Caberá a Mendonça conduzir as próximas etapas das apurações.
Toffoli deixou a relatoria após reunião reservada entre os ministros do STF, que durou cerca de três horas na tarde da mesma quinta-feira. O presidente do Tribunal recebeu da Polícia Federal o relatório com os resultados das investigações e decidiu compartilhar o conteúdo com os demais integrantes da Corte.
Com a redistribuição, Mendonça passa a relatar dois processos considerados sensíveis no Palácio do Planalto. Além do inquérito sobre o Banco Master, ele já é responsável pela ação que apura o chamado escândalo do INSS, no qual há menções a Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Em dezembro de 2025 Lulinha foi citado em depoimento prestado à PF como suposto beneficiário de pagamentos mensais atribuídos a Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Os valores mencionados seriam de “300 mil”, sem especificação da moeda. A reportagem também apontou proximidade entre Lulinha e a lobista Roberta Luchsinger, que mantinha relações comerciais com Antunes. Ambos teriam viajado juntos ao menos seis vezes, inclusive para Portugal.
Em nota, os dez ministros do STF afirmaram que, a pedido de Toffoli e considerando “altos interesses institucionais”, a Presidência da Corte acolheu a comunicação para que os processos sob sua relatoria fossem redistribuídos livremente. Com isso, consideraram prejudicada a Arguição de Suspeição nº 244, protocolada em 10 de fevereiro para questionar a atuação do ministro.
Por unanimidade, os integrantes do STF afastaram alegações de suspeição contra Toffoli, embora sua empresa familiar tenha recebido valores relacionados à venda de participação do grupo Tayayá a um fundo ligado ao cunhado de Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel. Ainda assim, o ministro concordou em deixar o caso.
O sistema eletrônico do STF realiza a redistribuição com base no acervo processual de cada gabinete, de forma aleatória.
A investigação sobre o Banco Master chegou ao Supremo por envolver autoridades com prerrogativa de foro. Na operação Compliance Zero, a PF encontrou um envelope com o nome do deputado federal João Carlos Bacelar (PL-BA) em endereço ligado a Daniel Vorcaro, fundador do banco.
A atuação de Toffoli na relatoria foi alvo de críticas. Em 29 de novembro de 2025, o ministro viajou a Lima, no Peru, para assistir à final da Libertadores entre Palmeiras e Flamengo. O voo foi feito em aeronave do empresário Luiz Osvaldo Pastore, que também convidou o ex-ministro Aldo Rebelo e o advogado Augusto de Arruda Botelho. Botelho defende Luiz Antonio Bull, ex-diretor de Compliance do Banco Master, preso na operação.
Em 2 de dezembro de 2025, Toffoli decretou sigilo máximo sobre pedido da defesa de Vorcaro para que a Justiça Federal fosse declarada incompetente para julgar o caso. O ministro também determinou que novas diligências da operação fossem previamente autorizadas pelo STF, sob o argumento de possível envolvimento de autoridades com foro privilegiado.
Paralelamente, ganharam repercussão informações sobre a contratação da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, pelo Banco Master. Segundo dados divulgados pela jornalista Malu Gaspar, o contrato previa honorários mensais de R$ 3.646.529,77 por 36 meses, totalizando R$ 131.275.071,72. O contrato não foi divulgado integralmente, e nem a advogada nem o banco contestaram publicamente os valores informados.


