Política
Renan Filho afasta aliança com Arthur Lira e impõe escolha à base aliada
A fala é interpretada como um aviso direto a prefeitos, vereadores e lideranças do MDB e de partidos aliados
O ministro dos Transportes e pré-candidato ao governo de Alagoas, Renan Filho (MDB), afirmou que não dividirá palanque com o deputado federal Arthur Lira (PP-AL) nas eleições de 2026, ainda que o parlamentar decida apoiar a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A declaração foi feita em entrevista ao jornal *O Globo*, publicada neste domingo (8).
Ao comentar a estratégia nacional para a reeleição de Lula, Renan Filho defendeu a ampliação da frente de apoio ao centro, mas deixou claro que, em Alagoas, isso não implica a formação de uma aliança com Arthur Lira. A posição segue a mesma linha adotada recentemente pelo senador Renan Calheiros (MDB).
“O presidente Lula deve ter o maior número de apoios possível, mas isso não implica estarmos no mesmo palanque do Lira, que atrapalha o estado”, afirmou Renan Filho. Segundo o ministro, “ele mandou no Orçamento Secreto no governo Bolsonaro, mas não tem uma obra relevante no estado que tenha sido liderada por ele. Seria trazer para o seu time aquele que faz o gol contra”.
Apesar da crítica, Renan ponderou que não vê impedimento para que Lira apoie Lula nacionalmente. “Isso não quer dizer que eu ache que ele não deva apoiar o presidente. Se ele puder votar, acho bom. Não votou na última eleição”, disse.
Nos bastidores, a avaliação é de que o recado vai além de Arthur Lira. A fala é interpretada como um aviso direto a prefeitos, vereadores e lideranças do MDB e de partidos aliados que hoje flertam com a pré-candidatura de Lira ao Senado, mas permanecem na base do governo estadual. A sinalização é de que essa dupla vinculação tende a se tornar inviável ao longo do processo eleitoral.
Questionado sobre a indefinição em torno de uma possível candidatura do prefeito de Maceió, JHC, ao governo ou ao Senado, e se isso representaria descumprimento de acordo, Renan Filho respondeu: “Nunca pedi a ele que não fosse candidato. Em Alagoas, o MDB tem cerca de 80 prefeituras, a maior parte da Assembleia, dois deputados federais, dois senadores, o governo do estado e o apoio do presidente Lula na eleição local. Do outro lado, é melhor que eles próprios comentem”.
A entrevista também reforça a posição de Renan Filho sobre seu futuro político. Indagado se poderia ser candidato a vice-presidente na chapa de Lula, ele foi direto: “Sou pré-candidato ao governo de Alagoas. E vou participar da discussão”. A afirmação indica disposição para contribuir com a articulação nacional, sem abrir mão do projeto estadual.
O cenário desenhado a partir das declarações aponta para dificuldades crescentes de Arthur Lira na formação de palanques em bases controladas pelo grupo governista em Alagoas. Prefeituras, lideranças regionais e estruturas políticas ligadas ao MDB deverão reavaliar suas estratégias diante de um recado que passa a ser reiterado pelas principais lideranças do grupo.
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