Política
Renan Filho fala como estadista e sela aliança com Lula em Maceió
Houve gestos aos aliados, como o governador Paulo Dantas (MDB), acenos públicos ao prefeito de Maceió, JHC (PL), e uma defesa enfática do presidente Lula
Nenhuma citação sobre obras de rodovias, ferrovias, PPDs ou CNH do Brasil. O ministro dos Transportes, Renan Filho, adotou um discurso de forte conteúdo político e nacional durante o evento comandado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nesta sexta-feira (23/01), em Maceió. A agenda marcou a entrega de moradias do programa Minha Casa Minha Vida e ambulâncias do Samu, reunindo autoridades federais, estaduais e municipais, além de beneficiários dos programas sociais.
Diante do público do evento e sob ampla cobertura nacional, Renan fez uma opção clara: não falou de obras, projetos ou ações do Ministério dos Transportes. Preferiu ocupar o espaço como liderança política, atuando como articulador do campo governista, exaltando o legado de Lula, fortalecendo a aliança nacional e sinalizando diálogo institucional em Alagoas.
O discurso foi cuidadosamente construído para alcançar vários públicos. Houve gestos aos aliados, como o governador Paulo Dantas (MDB), acenos públicos ao prefeito de Maceió, JHC (PL), e uma defesa enfática do presidente Lula como liderança central do projeto político até 2030.
Renan abriu sua fala destacando o simbolismo da presença de Lula em Alagoas e o caráter social do evento.
“Hoje é um dia de festa muito grande aqui para receber o nosso presidente Lula. Seja bem-vindo a Maceió e seja bem-vindo a Alagoas”, afirmou.
Na sequência, fez uma crítica direta à interrupção de políticas habitacionais nos últimos anos, contrapondo o governo atual ao anterior.
“Quando nós deixamos o governo, acabaram o Minha Casa Minha Vida. Criaram um programa chamado Casa Verde Amarela. Ninguém nunca viu uma casa verde e amarela”, disse, arrancando aplausos da plateia.
“Mais de 200 mil casas já foram construídas em Alagoas”
O ministro resgatou dados históricos para reforçar a importância do programa habitacional para o Estado, lembrando que Alagoas foi fortemente impactada por enchentes em diferentes momentos.
“Mais de 200 mil casas populares foram construídas em Alagoas ao longo da história do Minha Casa Minha Vida”, afirmou.
Renan recordou a atuação de Lula durante as enchentes que devastaram cidades como Rio Largo, Murici, União dos Palmares e São José da Laje.
“O senhor saiu de Brasília, veio a Alagoas, editou uma medida provisória e liberou cerca de R$ 1 bilhão para reconstruir essas cidades. Só ali foram 50 mil casas”, destacou.
Em um dos trechos mais duros do discurso, Renan fez uma comparação entre a postura do atual presidente e a de lideranças nacionais durante tragédias recentes.
“Enquanto a gente lutava pelo povo alagoano, tinha gente em outros estados andando de jet ski, tripudiando do sofrimento alheio”, afirmou, sem citar nomes.
A crítica reforçou a defesa de um governo presente, ativo e voltado aos mais pobres.
Em gesto político de repercussão local, Renan fez questão de citar nominalmente o prefeito de Maceió, filiado a um partido de oposição ao governo federal.
“Eu queria dar um abraço no prefeito de Maceió, JHC”, disse, antes de saudar o governador Paulo Dantas como “grande amigo”.
O movimento foi interpretado como sinal de diálogo institucional e maturidade política, em um momento em que JHC tem adotado discurso mais conciliador em relação ao Planalto.
Falando também em nome do senador Renan Calheiros, seu pai, o ministro deixou claro o alinhamento político do grupo o futuro.
“O lugar de Renan em 2026 é onde Renan sempre esteve: ao lado do presidente Lula”, declarou.
A frase foi uma das mais diretas do discurso e reforçou a fidelidade do MDB alagoano ao projeto nacional do presidente. “Só Lula tem condições de defender o Brasil até 2030”
Na parte final, Renan ampliou o debate para o cenário nacional e internacional, defendendo Lula como a principal liderança capaz de sustentar a democracia e enfrentar desafios econômicos e políticos.
“Só quem tem condição de defender o Brasil progressista, o mais pobre, de enfrentar os fascistas, é o presidente Lula”, afirmou.
Ao concluir, deixou claro que sua fala não se limitava ao evento em Maceió, mas fazia parte de uma construção política mais ampla.
O discurso reforçou o papel que Renan Filho vem exercendo cada vez mais, atuando menos como ministro setorial e mais como um dos principais formuladores e defensores do projeto político do governo Lula — em Alagoas e no cenário nacional.


