Política
O método JHC: interlocutor revela como prefeito testa antes de decidir
Um padrão que se repete e que estaria, agora, novamente em execução
O comportamento do prefeito de Maceió, JHC (PL), após o evento com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de sexta-feira (23/01) na capital alagoana, não é aleatório nem improvisado. Pelo contrário. Segundo um importante interlocutor, com trânsito nos círculos de poder, o prefeito segue um padrão recorrente de atuação política, baseado em cálculo, tempo e leitura minuciosa de ambiente — especialmente das redes sociais.
Esse método, de acordo com a fonte, ajuda a entender por que JHC optou por um discurso de gestos, palavras medidas e ausência de declaração explícita de apoio a Lula, mesmo em um evento público, com repercussão nacional, no qual parte da base governista esperava um posicionamento mais claro.
A expectativa, segundo o interlocutor, era outra. As conversas de bastidores previam um gesto mais direto do prefeito, algo que iria além do “estender a mão” ou do discurso sobre pacto institucional.
“A conversa era ele dizer ao Lula que estava declarando ali que Lula era o candidato dele a presidente e que ele seria candidato ao Senado”, afirmou a fonte.
Isso não aconteceu. Para o interlocutor, JHC “não fez nem a metade”. Preferiu o que chamou de “carinho público”, mantendo-se, deliberadamente, em cima do muro.
O gesto calculado teve efeito imediato: críticas nas redes sociais, especialmente entre perfis mais ideológicos, principalmente à direita. Algo que, segundo a fonte, já fazia parte do roteiro.
E a declaração de apoio a Lula não virá agora e pode não vir mais nunca. Isso se a leitura do interlocutor estiver correta: “ele só decidirá depois que ver o resultado da pesquisa”, aponta.
Um método em três etapas
O interlocutor descreve o que chama de um método consolidado de JHC, usado em diferentes momentos de sua trajetória política. Um padrão que se repete e que estaria, agora, novamente em execução.
A primeira etapa é a interlocução de bastidor. Conversas reservadas, construção de pontes, alinhamentos preliminares sem exposição pública.
A segunda é o teste público, geralmente pelas redes sociais. Um gesto, uma fala calculada, uma foto, uma sinalização indireta — suficiente para provocar reação, mas sem assumir compromisso definitivo.
A terceira fase é a pesquisa. Com método, números e recortes claros, JHC mede se houve ganho, perda ou neutralidade política com o movimento. Só depois disso, segundo a fonte, ele crava posição.
“Se houver prejuízo (nas redes), ele sai de cena e não chega mais perto. Se não houver, ele dá o próximo passo”, resumiu o interlocutor.
Na avaliação da fonte, JHC não faz política tradicional, ancorada apenas em estruturas partidárias ou militância organizada. Sua principal base é a rede social — e é a ela que ele presta contas antes de qualquer decisão mais sensível.
“Ele respeita a base dele, que é a rede social”, afirmou, ao comparar seu estilo com o de políticos que operam a partir de bases territoriais clássicas.
Por isso, as críticas que JHC vem recebendo nos últimos dias, sobretudo no Instagram, são parte essencial da equação. Elas podem se dissipar com o tempo ou se aprofundar. É essa resposta que ele estaria medindo agora.
O risco interno no PL
Além da reação digital, há um componente político mais delicado: a base de apoio formal. Um movimento mais claro em direção a Lula tende a tensionar sua relação com o PL, partido que abriga vereadores de perfil ideológico e oposição frontal ao governo federal.
Nomes como o do vereador Leonardo Dias e Cabo Bbeto simbolizam esse campo mais duro, pouco disposto a acompanhar qualquer aproximação com o Planalto. Antes de avançar, JHC precisará medir quem fica e quem não fica no caminho.
A estratégia, ao que tudo indica, é ganhar tempo. Observar, medir, pesquisar e só então decidir. Não se trata de indecisão, mas de método.
Se isso explica a ausência de uma declaração explícita de apoio a Lula? Segundo o interlocutor, sim. E explica também por que qualquer movimento mais definitivo ainda pode demorar.
JHC está testando a canoa. Se não afundar, ele rema. Se afundar, salta fora. E faz isso, como já fez outras vezes, com frieza, cálculo e leitura de cenário.
“Tenho que reconhecer que ele é bom nisso e está agora em plena execução deste método. Dependendo a reação das redes, se for forte demais, ele cai fora ou pula dentro do barco de Lula”, resume.


