Política

Famílias travam “guerra” por votos no Sul e Baixo São Francisco de AL

Embora concentrem um eleitorado expressivo e estratégico, hoje contam com apenas um representante no Parlamento estadual: Mesaque Padilha (União Brasil) – ainda assim eleitos com votos da capital.

Por Blog do Edivaldo Júnior 09/01/2026 09h09
Famílias travam “guerra” por votos no Sul e Baixo São Francisco de AL
Marcelo aparece em outdoor ao lado do irmão, Marcos e do primo Marx, numa confirmação de qua a família Beltrão está de novo unificada politicamente - Foto: Reprodução

As regiões Sul e do Baixo São Francisco de Alagoas caminham para se transformar em um dos principais campos de batalha da próxima eleição para a Assembleia Legislativa. Embora concentrem um eleitorado expressivo e estratégico, hoje contam com apenas um representante no Parlamento estadual: Mesaque Padilha (União Brasil) – ainda assim eleitos com votos da capital.

O cenário, no entanto, aponta para uma disputa intensa entre nomes tradicionais da política alagoana, lideranças locais consolidadas e novos postulantes com forte capacidade de transferência de votos.

Mesaque Padilha, atual deputado, construiu sua trajetória política em Coruripe, onde foi vereador e presidente da Câmara Municipal. Apesar de ter nascido em Maceió — cidade onde obteve sua maior votação, impulsionado sobretudo pelo eleitorado evangélico —, mantém presença política na região Sul, que hoje lhe garante a condição de representante regional na Assembleia. Essa condição, porém, tende a ser fortemente contestada no próximo pleito.

Outro deputado estadual, Dudu Ronalsa, também tem forte atuação política na região, especialmente no município de Piaçabuçu. Mas a exemplo de Mesaque, ele faz política principalmente em Maceió, onde já foi vereador e tem forte base eleitoral.

Nas eleições de 2022, a disputa por espaço político no Sul e no Baixo São Francisco já se mostrou acirrada. Yvan Beltrão, Henrique Chicão, Guilherme Lopes e João Paulo do Klécio protagonizaram uma corrida voto a voto, que terminou sem sucesso eleitoral para todos eles. Somados, apenas esses quatro nomes ultrapassaram a marca de quase 100 mil votos em todo o Estado, evidenciando o peso político da região e o grau de competitividade do embate.

Além deles, outros deputados eleitos tiveram desempenhos relevantes nos municípios da região. Marcelo Victor, presidente da Assembleia Legislativa, aparece como um dos principais beneficiários desse capital eleitoral e tende, mais uma vez, a figurar entre os mais votados do Estado. Dudu Ronalsa também manteve desempenho consistente em cidades estratégicas. Já Carla Dantas, que obteve votação expressiva sobretudo em Igreja Nova, não disputará a reeleição e deve transferir sua base eleitoral para Paulinho Mendonça, alterando o mapa político local.

Para 2026, o cenário ganha novos contornos. Dos quatro mais votados que ficaram fora da Assembleia em 2022, dois já estão confirmados na disputa: Henrique Chicão e Guilherme Lopes. João Paulo do Klécio e Yvan Beltrão, por sua vez, não serão candidatos. Em contrapartida, surge um novo ator com grande potencial de impacto: Marcos Beltrão, irmão do prefeito de Coruripe, Marcelo Beltrão. A expectativa nos bastidores é que ele seja o candidato mais votado no município, com projeção de ultrapassar a casa dos dez mil votos apenas em Coruripe.

Marcos Beltrão, no entanto, não deve restringir sua atuação à cidade natal. A estratégia passa por buscar votos em toda a região Sul e do Baixo São Francisco, inclusive em Penedo, onde Guilherme Lopes foi o mais votado em 2022 e promete repetir — ou até ampliar — o desempenho. Henrique Chicão, por sua vez, também trabalha com a perspectiva de crescimento eleitoral, apoiado em bases que vêm sendo fortalecidas desde o último pleito.

Marcos Beltrão chega na disputa com o peso de Marcelo que conseguiu unificar toda família em torno de seu irmão eu primo Marx Beltrão, que será candidato à reeleição de deputado federal. Uma União que está estampada em outdoors espalhado pela região sul, em que aparece na foto ao lado dos dois – o irmão e o primo - com uma fase bem sugestiva: “tamo junto”.

Guilherme Lopes, aliás, deu início formal à pré-campanha nessa segunda-feira, dia 5, com um movimento político simbólico em Penedo. Outdoors espalhados pela cidade mostram o pré-candidato ao lado do prefeito Ronaldo Lopes, do vice-prefeito Valdinho Monteiro e de 12 vereadores, numa demonstração clara de força política e articulação local.

Com apenas uma cadeira ocupada por um representante da região – que não é integrante de nenhuma família tradicional do Sul ou do Baixo São Francisco – as regiões devem se transfomrar em territórios de batalha por vagas na Assembleia Legislativa. A disputa promete ser dura. E dependendo das alianças locais, transferência de bases é possível que Marcos, Guilherme e Henrique sejam eleitos. O mais provável, no entanto, é que só um vença - ou dois no máximo. A pergunta é quem vai ficar de fora? A resposta virá das urnas, mas o confronto já começou.