Polícia

Prefeito e vice são denunciados por racismo e perseguição política

A denúncia foi apresentada na quinta-feira (29) à Ouvidoria da Igualdade Racial do TRE-AL

Por Redação 30/10/2026 10h10 - Atualizado em 30/10/2026 11h11
Prefeito e vice são denunciados por racismo e perseguição política
. - Foto: Reprodução


O Instituto do Negro de Alagoas (INEG-AL) denunciou o prefeito de Boca da Mata, Bruno Feijó (PP), e o vice-prefeito, Sérgio Salvador (União), por suspeita de racismo, perseguição política e demissão de servidores. As acusações foram negadas pelo prefeito, que afirmou não ter ocorrido discriminação racial nem desligamentos motivados por posicionamento político.

A denúncia foi apresentada na quinta-feira (29) à Ouvidoria da Igualdade Racial do Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL), que acompanha o caso. Segundo o instituto, os gestores teriam participado, ao lado de integrantes do grupo denominado “Direita de BM”, de uma manifestação em apoio à família Bolsonaro, realizada na segunda-feira (26).

De acordo com o INEG-AL, durante o ato, participantes pintaram o rosto com tinta preta, prática conhecida como blackface, e reproduziram uma encenação semelhante à registrada na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Na ocasião, um homem com adesivos do PT apareceu acorrentado.

Na representação feita em Boca da Mata, um homem negro, usando uma camisa com o nome do presidente Lula (PT) e segurando uma pá, aparece sendo conduzido por homens brancos. Um deles balança um ramo de capim. Para o instituto, a cena reproduz estereótipos racistas e desumaniza a população negra.

A entidade também relatou que, na terça-feira (27), um dia após a manifestação, surgiram denúncias de que três pessoas que declararam apoio à candidatura de Lula teriam sido demitidas de suas funções.

Após receber a denúncia, o TRE-AL encaminhou o caso ao Ministério Público do Estado de Alagoas (MP-AL), ao Ministério Público do Trabalho em Alagoas (MPT-AL) e ao Ministério Público Federal em Alagoas (MPF-AL).

Em nota publicada nas redes sociais na quinta-feira (29), o prefeito Bruno Feijó repudiou as acusações feitas pelo INEG-AL. Ele negou a prática de blackface e afirmou que nenhum trabalhador foi demitido por razões políticas.

Segundo o gestor, o episódio ocorreu durante o feriado do Dia do Servidor Público no município. Como não houve expediente nos órgãos municipais, ele e outros gestores aproveitaram a data para confraternizar com moradores.

Na versão apresentada pelo prefeito, a pintura dos rostos de preto teve o objetivo de reproduzir o tradicional mela-mela do Carnaval de Boca da Mata, manifestação cultural em que os foliões cobrem o corpo e o rosto com melaço.

Bruno Feijó também negou que a encenação tenha representado pessoas negras em situações associadas a estereótipos raciais e afirmou que não houve intenção discriminatória. Na nota, classificou a denúncia como uma distorção dos fatos que desconsidera o contexto do episódio.