Polícia
Filhas dizem que ataque contra mãe queimada em Maceió foi planejado
Ana Paula segue em estado grave; família pede justiça e alerta sobre violência
As filhas de Ana Paula de Oliveira da Silva, de 43 anos, contaram em entrevista à TV Gazeta como o ataque sofrido pela mãe foi premeditado pelo companheiro. Ana Paula teve cerca de 90% do corpo queimado na última sexta-feira (26), no bairro Tabuleiro do Martins, em Maceió, e permanece internada em estado gravíssimo.Com 90% do corpo queimado, mulher nunca registrou BO apesar de histórico de agressões
Segundo Amanda Barbosa, o agressor saiu de casa decidido a cometer o crime. “Ele foi comprar gasolina, planejou tudo e voltou. Quando chegaram a uma área de mato, ele arrastou minha mãe pelos cabelos, jogou gasolina e ateou fogo nela. Depois foi embora e deixou minha mãe queimando”, relatou.
Mesmo ferida, Ana Paula tentou sobreviver. “Ela só tentava se proteger do fogo. Saiu se rastejando até a pista, onde os carros pararam para ajudá-la. Foi a população que prestou os primeiros socorros”, disse Amanda.
A outra filha, Tayanara de Oliveira, contou que passou pelo local sem saber que a mãe estava sendo socorrida. “Eu vi as ambulâncias, mas não imaginava que era ela. Quando cheguei em casa, vi que a polícia procurava os familiares. Vim direto para o hospital e encontrei minha mãe nessa situação”, afirmou.
As filhas destacaram que o ataque foi o desfecho de um relacionamento marcado por agressões. “Semana passada ele localizou minha mãe na Barra de São Miguel e a agrediu novamente. Ele tentou arrancar pedaços do corpo dela com os dentes. Minha mãe tinha medo e permanecia calada”, revelou Amanda.
Em meio ao sofrimento, elas fizeram um apelo para que outras mulheres denunciem casos de violência doméstica. “Não permitam que homem nenhum toque em vocês, seja fisicamente ou de qualquer outra forma. Denunciem. Isso precisa acabar”, disse uma das filhas.
Ao final, Amanda pediu justiça: “Eu só peço justiça pela minha mãe. Quantas mulheres ainda vão precisar morrer para que alguma coisa seja feita?”.


