Polícia
Com 90% do corpo queimado, mulher nunca registrou BO apesar de histórico de agressões
PC instaurou inquérito por tentativa de feminicídio; suspeito foi preso com queimaduras na perna e pode pegar até 40 anos
Ela vivia um relacionamento marcado pela violência, segundo familiares. Mas nunca foi à polícia. Nunca pediu medida protetiva. E foi exatamente essa ausência de registros que impediu que as forças de segurança agissem antes de o pior acontecer.
A mulher que teve cerca de 90% do corpo queimado após ser atacada pelo companheiro não tinha nenhum boletim de ocorrência em seu nome. A informação foi confirmada nesta terça-feira (30) pela delegada Ana Luísa Nogueira, responsável pela investigação da tentativa de feminicídio.
"Esse caso acende um alerta para toda a sociedade. Em muitos episódios de violência doméstica, o agressor apresenta um comportamento completamente diferente diante das outras pessoas, mas, dentro de casa, pratica agressões contra a companheira. A polícia só consegue agir quando toma conhecimento dos fatos", afirmou a delegada.
Segundo as investigações, o homem não aceitava o término do relacionamento. Ele teria levado a vítima até um terreno baldio, jogado combustível sobre ela e ateado fogo. A mulher sofreu queimaduras em aproximadamente 90% do corpo e permanece internada em estado gravíssimo no Hospital Geral do Estado.
O suspeito foi localizado depois de dar entrada numa Unidade de Pronto Atendimento no Tabuleiro do Martins, em Maceió, com queimaduras em uma das pernas — ferimentos provocados durante o próprio crime. Ele foi preso em flagrante por tentativa de feminicídio e segue detido.
Desde que tomou conhecimento do caso, a Polícia Civil instaurou inquérito, conduzido pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher 2 (DEAM 2), com prazo legal de 10 dias para conclusão. A pena prevista para o crime pode chegar a 40 anos de prisão.
"Trata-se de um crime extremamente grave, de uma brutalidade muito grande. Esperamos que esse agressor seja responsabilizado com o máximo rigor da lei", declarou Ana Luísa Nogueira.


