Ciência, tecnologia e inovação
Estudo diz que destruição da camada de ozônio poderia ter sido prevista
Indícios do dano causado pelo ser humano poderia ter sido detectado ainda na década de 50
Um novo estudo sugere que os impactos da atividade humana sobre a camada de ozônio começaram a se tornar perceptíveis décadas antes da descoberta do buraco sobre a Antártica, anunciada em 1985. Segundo os pesquisadores, caso as tecnologias atuais de monitoramento atmosférico já existissem na época, os primeiros indícios poderiam ter sido detectados em 1957.
Para chegar à conclusão, cientistas liderados pela química atmosférica Susan Solomon reconstruíram o comportamento da atmosfera utilizando 16 simulações climáticas. Os modelos compararam as variações naturais do clima com as mudanças provocadas pela emissão de compostos químicos produzidos pelo homem, permitindo identificar quando a influência humana passou a se destacar.
Os resultados mostram que o primeiro sinal detectável teria surgido na alta estratosfera sobre a região tropical. Como essa área apresenta menor variabilidade natural, alterações provocadas por atividades humanas tendem a ser percebidas com mais facilidade.
De acordo com a pesquisa, o composto mais associado a esse processo inicial foi o tetracloreto de carbono, substância amplamente utilizada desde a década de 1930 como solvente industrial e em serviços de limpeza a seco.
Os cientistas explicam que a concentração do produto já apresentava crescimento na atmosfera em meados da década de 1940. Ao atingir as camadas superiores da atmosfera, o composto libera átomos de cloro capazes de destruir moléculas de ozônio.
Apesar da descoberta, os autores destacam que o estudo não altera o consenso científico sobre a formação do buraco na camada de ozônio. Os clorofluorcarbonetos (CFCs) continuam sendo apontados como os principais responsáveis pelo fenômeno observado sobre a Antártica.
Para os pesquisadores, os resultados reforçam a importância do monitoramento contínuo da atmosfera. A identificação precoce de alterações ambientais pode ampliar a compreensão sobre os efeitos das atividades humanas e contribuir para acompanhar a recuperação da camada de ozônio ao longo das próximas décadas.
*Informações de Metrópoles

