Polícia
Polícia Civil encontra idoso desaparecido após 13 anos em Santana do Ipanema
Momento especial aconteceu em Santana do Ipanema, cidade do sertão de Alagoas
Dando continuidade as ações educativas, diligências investigativas e palestras em alusão ao Junho Violeta, a Polícia Civil de Alagoas (PCAL), por meio da Delegacia de Vulneráveis, esteve presente nessa quarta-feira (17), em Santana do Ipanema, município pertencente ao sertão alagoano. A campanha nacional é dedicada à conscientização e ao combate a todas as formas de violência (física, psicológica, patrimonial e negligência) contra a pessoa idosa.
Essas mobilizações integram a Operação Virtude, promovida pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), com foco na proteção da terceira idade.
Em Alagoas, a operação está sendo coordenada pela delegada Rebecca Cordeiro, e conta com a participação de todo efetivo da Delegacia Especial dos Crimes contra Vulneráveis “ Yalorixá Tia Marcelina”.
Durante a ação em Santana do Ipanema, o trabalho investigativo e o olhar humanizado da equipe da Delegacia de Vulneráveis de Maceió permitiram a identificação positiva de Edson Almeida Nunes, que vivia em uma Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPI) no sertão alagoano e estava desde 2013 sem qualquer contato com seus familiares que residem em Brasília.
Ação Preventiva e o Encontro no Sertão
A equipe policial esteve em Santana do Ipanema para uma série de atividades preventivas, incluindo visitas à Delegacia Regional e a entrega de exemplares do "Guia Rápido de Proteção à Pessoa Idosa" para a delegada Daniela Andrade. Durante a missão, que incluiu esclarecimentos à população via Rádio Milenium sobre como identificar e denunciar crimes contra idosos, a equipe visitou a ILPI Lar São Vicente de Paula.
Foi nesta instituição que a história de "José da Silva" chamou a atenção. O idoso, acolhido após um acidente que o deixou temporariamente sem fala e sem memória, residia no local há 13 anos. Embora tivesse recuperado parte da comunicação e indicado que se chamava Edson e vinha de Brasília, a ausência de sobrenome e de registros no banco de dados da Secretaria de Segurança Pública de Alagoas (SSP/AL) impedia sua identificação real e a localização de seus familiares.
Integração Técnica e Identificação Positiva
Diante da complexidade do caso, a delegada titular da Delegacia de Vulneráveis, Rebecca Cordeiro, estabeleceu contato imediato com o Programa de Localização e Identificação de Desaparecidos (PLID/AL). O trabalho envolveu a coleta e o envio, pela delegada, de dados e fotografias do prontuário do idoso, permitindo que a Polícia Federal realizasse uma busca minuciosa no sistema nacional de impressões digitais.
O cruzamento de dados resultou na identificação confirmada de Edson Almeida Nunes. Com a identidade real em mãos, foram localizados familiares em Brasília, que receberam a notícia com profunda emoção. Os parentes já organizam o deslocamento para Alagoas para o reencontro e o retorno de Edson ao convívio familiar.
O Amparo Legal e a Evolução das Instituições
O caso reforça a importância da Lei 13.812/2019 (Lei de Desaparecidos). Em seu artigo 11, a legislação determina que hospitais, clínicas e albergues devem informar obrigatoriamente às autoridades sobre o ingresso de pessoas sem identificação.
Embora Edson tenha dado entrada na instituição antes da vigência desta lei, o Lar São Vicente de Paula buscou as autoridades na época. Contudo, a falta de integração sistêmica que existia há oito anos resultou em um longo período de separação. Hoje, o cenário de cooperação entre a Polícia Civil, Polícia Federal, o PLID e todos os órgãos que o compõe demonstra que a tecnologia aliada à persistência policial é capaz de solucionar casos considerados perdidos.
"São ocorrências como esta que tornam o trabalho policial gratificante. Um olhar cuidadoso e uma visita de rotina foram o estopim para devolver a dignidade e a história de uma pessoa que estava invisível há quase uma década", afirmou a delegada Rebecca.


