Ciência, tecnologia e inovação
Home office pode aumentar isolamento e afetar saúde mental, aponta estudo
Pesquisa indica que trabalho remoto está associado a mais tempo sozinho, maior sofrimento psicológico e aumento na busca por atendimento especializado
O trabalho remoto, desejado por muitos profissionais, pode trazer impactos negativos para a saúde mental, especialmente entre pessoas que moram sozinhas. É o que aponta uma pesquisa realizada nos Estados Unidos e publicada na revista científica Science, que analisou os efeitos do home office sobre o bem-estar psicológico dos trabalhadores.
Segundo o estudo, o trabalho remoto aumenta significativamente o tempo que as pessoas passam sozinhas, favorece o isolamento social e está associado ao crescimento de indicadores de sofrimento mental, além de ampliar a procura por serviços de saúde mental e o uso de medicamentos para depressão e ansiedade.
A pesquisa foi conduzida por especialistas das universidades de Harvard e Virgínia, além do Banco da Reserva Federal de Nova York, com base em dados de cerca de 568 mil pessoas entre os anos de 2011 e 2024, excluindo o período mais crítico da pandemia de Covid-19.
Os pesquisadores observaram que, antes da pandemia, as pessoas passavam em média 5,4 horas acordadas sozinhas durante os dias úteis. Com a popularização do home office, esse tempo aumentou em mais de uma hora entre os trabalhadores remotos.
O impacto foi ainda mais intenso entre aqueles que vivem sozinhos. Nesse grupo, a probabilidade de passar um dia inteiro sem qualquer contato social aumentou em 83%. Entre 2022 e 2024, essas pessoas passaram quase metade dos dias de trabalho remoto completamente sozinhas.
Além do isolamento, o estudo identificou crescimento nos níveis de sofrimento psicológico, especialmente entre trabalhadores que moram sozinhos. A pesquisa também registrou aumento na procura por profissionais de saúde mental, além de maior consumo de medicamentos voltados ao tratamento de depressão e ansiedade.
De acordo com os dados, pessoas em home office apresentaram 4,6% mais chances de buscar atendimento psicológico ou psiquiátrico em comparação com trabalhadores presenciais. Também houve aumento de 1,8% nas prescrições de medicamentos relacionados à saúde mental.
Apesar dos resultados, o trabalho remoto continua sendo amplamente aprovado pelos profissionais. Pesquisas citadas no estudo mostram que muitos trabalhadores preferem o modelo e estariam dispostos até mesmo a aceitar redução salarial para manter a possibilidade de trabalhar de casa.
Os autores, porém, alertam que os efeitos negativos sobre o bem-estar podem surgir de forma gradual, dificultando a percepção dos impactos no dia a dia. Eles também destacam que futuras pesquisas poderão avaliar se, ao longo do tempo, os trabalhadores desenvolvem novas formas de socialização capazes de compensar a redução do contato presencial proporcionado pelo ambiente de trabalho.
*Informações de Metrópoles


