Polícia

Polícia Civil encontra idoso desaparecido após 13 anos em Santana do Ipanema

Momento especial aconteceu em Santana do Ipanema, cidade do sertão de Alagoas

Por Ascom PC-AL com Redação 18/06/2026 10h10 - Atualizado em 18/06/2026 10h10
Polícia Civil encontra idoso desaparecido após 13 anos em Santana do Ipanema
Operação Virtude - Foto: Ascom PC-AL

Dando continuidade as ações educativas, diligências investigativas e palestras em alusão ao Junho Violeta, a Polícia Civil de Alagoas (PCAL), por meio da Delegacia de Vulneráveis, esteve presente nessa quarta-feira (17), em Santana do Ipanema, município pertencente ao sertão alagoano. A campanha nacional é dedicada à conscientização e ao combate a todas as formas de violência (física, psicológica, patrimonial e negligência) contra a pessoa idosa.

Essas mobilizações integram a Operação Virtude, promovida pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), com foco na proteção da terceira idade.

Em Alagoas, a operação está sendo coordenada pela delegada Rebecca Cordeiro, e conta com a participação de todo efetivo da Delegacia Especial dos Crimes contra Vulneráveis “ Yalorixá Tia Marcelina”.

Durante a ação em Santana do Ipanema, o trabalho investigativo e o olhar humanizado da equipe da Delegacia de Vulneráveis de Maceió permitiram a identificação positiva de Edson Almeida Nunes, que vivia em uma Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPI) no sertão alagoano e estava desde 2013 sem qualquer contato com seus familiares que residem em Brasília.

Ação Preventiva e o Encontro no Sertão


A equipe policial esteve em Santana do Ipanema para uma série de atividades preventivas, incluindo visitas à Delegacia Regional e a entrega de exemplares do "Guia Rápido de Proteção à Pessoa Idosa" para a delegada Daniela Andrade. Durante a missão, que incluiu esclarecimentos à população via Rádio Milenium sobre como identificar e denunciar crimes contra idosos, a equipe visitou a ILPI Lar São Vicente de Paula.

Foi nesta instituição que a história de "José da Silva" chamou a atenção. O idoso, acolhido após um acidente que o deixou temporariamente sem fala e sem memória, residia no local há 13 anos. Embora tivesse recuperado parte da comunicação e indicado que se chamava Edson e vinha de Brasília, a ausência de sobrenome e de registros no banco de dados da Secretaria de Segurança Pública de Alagoas (SSP/AL) impedia sua identificação real e a localização de seus familiares.

Integração Técnica e Identificação Positiva


Diante da complexidade do caso, a delegada titular da Delegacia de Vulneráveis, Rebecca Cordeiro, estabeleceu contato imediato com o Programa de Localização e Identificação de Desaparecidos (PLID/AL). O trabalho envolveu a coleta e o envio, pela delegada, de dados e fotografias do prontuário do idoso, permitindo que a Polícia Federal realizasse uma busca minuciosa no sistema nacional de impressões digitais.

O cruzamento de dados resultou na identificação confirmada de Edson Almeida Nunes. Com a identidade real em mãos, foram localizados familiares em Brasília, que receberam a notícia com profunda emoção. Os parentes já organizam o deslocamento para Alagoas para o reencontro e o retorno de Edson ao convívio familiar.

O Amparo Legal e a Evolução das Instituições


O caso reforça a importância da Lei 13.812/2019 (Lei de Desaparecidos). Em seu artigo 11, a legislação determina que hospitais, clínicas e albergues devem informar obrigatoriamente às autoridades sobre o ingresso de pessoas sem identificação.

Embora Edson tenha dado entrada na instituição antes da vigência desta lei, o Lar São Vicente de Paula buscou as autoridades na época. Contudo, a falta de integração sistêmica que existia há oito anos resultou em um longo período de separação. Hoje, o cenário de cooperação entre a Polícia Civil, Polícia Federal, o PLID e todos os órgãos que o compõe demonstra que a tecnologia aliada à persistência policial é capaz de solucionar casos considerados perdidos.

"São ocorrências como esta que tornam o trabalho policial gratificante. Um olhar cuidadoso e uma visita de rotina foram o estopim para devolver a dignidade e a história de uma pessoa que estava invisível há quase uma década", afirmou a delegada Rebecca.