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Incêndios em áreas privadas disparam após 1º turno e dominam queimadas no Amazonas

Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a maioria dos focos de calor no período analisado foi identificada em imóveis rurais privados com Cadastro Ambiental Rural (CAR)

Por Sputnik Brasil com Redação 21/10/2026 05h05
Incêndios em áreas privadas disparam após 1º turno e dominam queimadas no Amazonas
Foto: © AP Photo / Eraldo Peres

Levantamento do INPE aponta que 79,1% dos 1.639 focos de calor registrados no Amazonas entre 1º e 15 de outubro ocorreram em propriedades rurais privadas. Em meio à seca severa agravada pelo El Niño, órgãos ambientais destacam a origem humana e criminosa das queimadas, que tiveram forte alta após o primeiro turno das eleições.

O estado do Amazonas enfrenta uma crise de incêndios que afeta diversas cidades, incluindo Manaus. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a maioria dos focos de calor no período analisado foi identificada em imóveis rurais privados com Cadastro Ambiental Rural (CAR).

Esses dados reforçam a avaliação de órgãos ambientais e de investigação sobre a predominância da origem humana e criminosa dos incêndios. O uso do fogo para manejo do solo exige autorização específica do governo estadual, proibida desde 9 de setembro no Amazonas. Apesar disso, os focos continuam avançando.

A situação se agrava com a seca extrema causada pelo fenômeno El Niño, que deixa a vegetação mais suscetível às chamas. De acordo com Jair Schmitt, presidente do Ibama, a estiagem favorece a propagação dos incêndios, mas o início do fogo tem origem humana, aproveitando-se da vulnerabilidade ambiental do momento.

As investigações envolvem Ibama, Polícia Federal, Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e Polícia Civil do Amazonas. Durante operações de fiscalização, agentes encontraram garrafas com combustível lançadas às margens de estradas. Desde a semana anterior ao levantamento, o Ibama aplicou R$ 2 milhões em multas, enquanto a Polícia Civil instaurou mais de 120 procedimentos para apurar o uso criminoso do fogo.

Os incêndios ocorrem em paralelo a uma queda recorde do desmatamento na Amazônia, que atingiu o menor nível desde 1988, conforme o INPE. A aparente contradição se deve ao fato de a maior parte do fogo atingir áreas já desmatadas. Em outubro, 52,8% dos focos ocorreram em áreas abertas nos últimos três anos, 30,6% em áreas desmatadas há mais tempo e apenas 15,9% em vegetação nativa.

Especialistas ressaltam que desmatamento e queimadas são fenômenos distintos. Embora a derrubada da floresta tenha diminuído, áreas já abertas seguem sendo incendiadas para limpeza do terreno ou renovação de pastagens. Pesquisadores apontam que o fogo faz parte de um processo contínuo de ocupação e manutenção de áreas degradadas.

Mesmo representando parcela menor dos registros, os focos em vegetação nativa preocupam. Com a seca extrema, incêndios iniciados em propriedades rurais podem sair do controle e avançar por quilômetros, atingindo florestas, áreas protegidas e territórios indígenas, especialmente diante do déficit de chuvas que agrava o cenário em Manaus e região.

O Ibama informou que autuou 19 pessoas em uma semana nos municípios de Autazes e Careiro da Várzea, na região metropolitana de Manaus. As multas somam R$ 2 milhões e mais de 250 hectares foram embargados. Em muitos casos, proprietários iniciam queimadas sem autorização e permitem que as chamas avancem para áreas protegidas.

Um levantamento do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) destacou ainda uma mudança incomum no padrão dos incêndios. Após seguir o comportamento sazonal até o fim de setembro, os focos voltaram a crescer rapidamente a partir de 4 de outubro, data do primeiro turno das eleições.

Entre 4 e 14 de outubro, foram registrados 5.598 focos de calor — número 37 vezes maior que o do mesmo período do ano anterior e superior até ao registrado durante a seca histórica de 2023. Segundo o Ibama, a causa da explosão ainda está sob investigação, mas relatos de campo sugerem possível sensação de impunidade durante o período eleitoral.

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