Eleições 2026

Comitê da Meta identifica falhas na moderação durante eleições brasileiras

A manifestação do órgão, que supervisiona de forma independente as plataformas do grupo, também expressa preocupação com as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos

Por Agência Brasil com Redação 21/10/2026 06h06
Comitê da Meta identifica falhas na moderação durante eleições brasileiras

O Comitê de Supervisão da Meta, corporação norte-americana responsável pelo Facebook, Instagram e WhatsApp, afirmou nesta terça-feira (20) ter identificado "falhas recorrentes" na aplicação das regras destinadas a garantir a integridade eleitoral durante a circulação de conteúdos sobre as eleições presidenciais brasileiras.

A manifestação do órgão, que supervisiona de forma independente as plataformas do grupo, também expressa preocupação com as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, que definirão a nova composição do Congresso do país.

Entre as principais críticas, o Comitê destacou que, durante períodos eleitorais e de maior tensão política, as falhas de moderação da Meta se manifestam de duas formas: aplicação excessivamente rigorosa das regras, suprimindo o discurso político, e aplicação insuficiente, comprometendo a integridade eleitoral. O caso brasileiro foi citado, especialmente as restrições de impulsionamento aplicadas à conta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que disputa a reeleição contra Flávio Bolsonaro (PL).

"A aplicação excessivamente rigorosa das políticas antifraude da Meta às contas de anúncios do presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, representa uma falha que deveria ter sido encaminhada a uma equipe interna de especialistas responsáveis pela análise de casos", afirma o órgão.

Em manifestação enviada na noite de segunda-feira (19) ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a Meta negou ter favorecido o alcance de publicações em prol de algum dos candidatos na corrida presidencial. No documento, a empresa afirma que "os conteúdos relativos às duas candidaturas são tratados de forma igual e não discriminatória" e que um documento técnico anexado ao processo "descreve o mecanismo que assegura essa isonomia".

A resposta da Meta foi motivada por questionamento do ministro Marco Aurélio Bellizze, que, na semana passada, determinou que a empresa apresentasse informações sobre as medidas adotadas para garantir o tratamento isonômico às duas candidaturas que disputam o segundo turno da eleição presidencial. Bellizze atendeu a pedido da coligação Brasil Pronto pra Mais, do presidente Lula, que reclamou de favorecimento a publicações do adversário Flávio Bolsonaro.

Na tarde de segunda-feira (19), centenas de manifestantes protestaram em São Paulo, na região das sedes da Meta e do Google, na zona oeste da capital. Com o slogan "Meta, não se meta", os participantes denunciaram censura a ativistas nas redes sociais, falta de neutralidade na mediação dos conteúdos e defesa de interesses próprios na gestão das plataformas.

O Conselho de Supervisão da Meta também relembrou as eleições de 2022, quando solicitou à empresa "que construísse uma estrutura mensurável para avaliar seus esforços de proteção da integridade eleitoral, incluindo o compartilhamento de indicadores relevantes".