Nacional
PF encontra contrato de documentário sobre o Banco Master supostamente assinado por Vorcaro
Documento previa colaboração do ex-banqueiro numa produção sobre o caso, e teria sido firmado enquanto ele já estava preso, o que chamou atenção dos investigadores
A Polícia Federal apreendeu, na casa do publicitário Thiago Miranda, um contrato que previa a produção de um documentário chamado "Caso Banco Master", num prazo de seis meses. O que torna esse documento especialmente chamativo é a data: segundo a PF, ele teria sido assinado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro em 31 de março deste ano, quando ele já estava preso pela própria Polícia Federal em Brasília.
Diante dessa informação, os investigadores comunicaram ao STF que a descoberta desse contrato "demanda maior aprofundamento instrutório com vistas à sua adequada compreensão".
Segundo o que a PF detalhou, o contrato previa a produção de um documentário ou série documental abordando fatos, personagens e acontecimentos ligados ao Caso Banco Master, contando com participação ativa tanto de Thiago Miranda quanto de Vorcaro. Os dois teriam se comprometido a colaborar com a produção, compartilhando informações, concedendo entrevistas exclusivas e dando acesso a documentos que ajudassem na construção da obra. O documento, segundo a Polícia Federal, tem firma reconhecida em cartório, assinada por Miranda, Vorcaro e outras pessoas.
Além dessa questão do contrato, a PF também está de olho em outro detalhe curioso: um número expressivo de garrafas de vinho e espumante que teriam como destino Fernando Cavalcanti, alvo da Operação Sem Desconto, que investiga fraudes no INSS. Pra entender melhor essa movimentação e também os detalhes da produção do documentário, os investigadores dizem que é fundamental analisar o celular apreendido com Thiago Miranda.
"A análise dos dados existentes no aparelho celular em posse de Thiago Miranda pode melhor delimitar a extensão das vantagens indevidas transacionadas, seja mediante favores, pagamento de despesas no exterior, transações bancárias ou mesmo eventual entrega de valores em espécie", afirma a PF.
O que diz a defesa
Depois que o passaporte de Thiago Miranda foi suspenso, a defesa dele se manifestou publicamente. Em nota, afirmou que, desde o início das investigações, "o Sr. Thiago Miranda adotou postura estritamente colaborativa, pautada pela boa-fé e pela mais absoluta lealdade processual, comparecendo espontaneamente a todos os atos para os quais foi convocado e prestando os esclarecimentos que lhe foram solicitados".
A defesa também negou qualquer irregularidade por parte do publicitário: "A defesa nega enfaticamente a prática de qualquer irregularidade por parte de seu constituinte, confiante de que, ao final da regular instrução, restará plenamente demonstrada a improcedência das suspeitas que lhe são atribuídas".

