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MP denuncia empresária e PM por tortura contra doméstica grávida

Vítima de 19 anos teria sido espancada após falsa acusação de roubo; Ministério Público aponta tentativa de homicídio, tortura e tentativa de aborto.

Por Redação com g1 06/07/2026 18h06 - Atualizado em 06/07/2026 18h06
MP denuncia empresária e PM por tortura contra doméstica grávida
Empresária e PM espancaram a vítima de 19 anos no Maranhão - Foto: Reprodução/g1

O Ministério Público do Maranhão (MP-MA) denunciou a empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos e o policial militar Michael Bruno Lopes Santos pelos crimes de tentativa de homicídio qualificada, tortura majorada e tentativa de aborto contra a empregada doméstica Samara Regina Dutra Soares, de 19 anos. A jovem estava grávida de cinco meses quando foi violentamente agredida, em abril deste ano, na cidade de Paço do Lumiar, na Região Metropolitana de São Luís.

De acordo com a denúncia, Samara foi submetida a uma série de agressões físicas e psicológicas após ser acusada de furtar um anel avaliado em R$ 5 mil da residência onde trabalhava. As investigações, porém, concluíram que a joia nunca foi roubada e acabou sendo encontrada em um cesto de roupas dentro da própria casa.

Segundo o Ministério Público, mesmo após o objeto ser localizado, as agressões continuaram. A vítima relatou ter sofrido socos, tapas, coronhadas, puxões de cabelo e ameaças de morte, além de ter sido obrigada a permanecer ajoelhada enquanto era intimidada com uma arma de fogo.

Áudios apreendidos pela Polícia Civil reforçam a acusação. Em uma das gravações, Carolina afirma: "Bati tanto nessa mulher que até hoje minha mão está inchada." Em outro trecho, diz que "ela não era nem para ter saído viva", declarações que, segundo o MP, demonstram a intenção de matar a vítima.

As investigações apontam que o policial militar participou diretamente da ação. Conforme a denúncia, Michael Bruno utilizou a arma para intimidar Samara, desferiu uma coronhada na jovem, ajudou a imobilizá-la e permitiu que a empresária continuasse as agressões.

Durante o ataque, a doméstica tentou proteger a barriga para preservar a vida do bebê. Em depoimento, ela contou os momentos de violência.

"Começou com puxões de cabelo. Eu fui derrubada no chão e passei boa parte do tempo ali. Foram tapas, socos e murros... foi sem parar. Eles não se importavam", relatou Samara.

O Ministério Público afirma que os denunciados assumiram o risco de provocar tanto a morte da jovem quanto a interrupção da gestação. A acusação é baseada em depoimentos, exames de corpo de delito, laudos periciais, registros de acionamentos da Polícia Militar e nos áudios obtidos durante a investigação.

Carolina Sthela foi presa preventivamente no Piauí, quando tentava deixar o estado, e permanece custodiada no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em São Luís. Michael Bruno também está preso preventivamente e responde, paralelamente, a um procedimento administrativo disciplinar instaurado pela Polícia Militar do Maranhão.

Em nota, a defesa da empresária informou que recebeu a denúncia e afirmou que fará a defesa de sua cliente dentro dos meios legais. Em entrevistas anteriores, o advogado chegou a alegar que Carolina poderia apresentar transtornos psicológicos, argumento que poderá ser utilizado durante o processo. A reportagem não conseguiu contato com a defesa do policial militar.

As investigações também revelaram que Carolina responde a mais de dez processos judiciais. Em um deles, foi condenada por calúnia após acusar falsamente uma ex-babá de furtar uma joia. Além disso, ela e o marido já foram condenados por desvio de recursos de uma empresa familiar.

Outro ponto apurado pela Polícia Civil diz respeito às condições de trabalho da vítima. Samara afirmou que trabalhava cerca de 10 horas por dia, acumulando funções domésticas e de cuidadora de uma criança, e recebeu R$ 750 por pouco mais de duas semanas de serviço.

O caso segue em tramitação na Justiça, enquanto a Polícia Civil ainda aguarda o resultado da perícia em um equipamento de armazenamento de imagens apreendido na residência da empresária, que poderá fornecer novos elementos sobre a sequência de agressões.