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Desembargador e deputado são investigados por venda de sentenças judiciais

Caso foi registrado em Mato Grosso; investigados podem responder pelos crimes de corrupção passiva, advocacia administrativa e lavagem de dinheiro

Por Agência Brasil 08/06/2026 17h05
Desembargador e deputado são investigados por venda de sentenças judiciais
Segundo a PF, investigados podem responder pelos crimes de corrupção passiva, advocacia administrativa e lavagem de dinheiro - Foto: Assessoria

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta segunda-feira (8) a Operação Gemini, que investiga um desembargador e um deputado estadual de Mato Grosso suspeitos de venda de sentenças judiciais e lavagem de dinheiro.

Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em endereços ligados ao desembargador Dirceu dos Santos, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), ao deputado estadual Faissal Calil (PL) e ao advogado Bruno Castro.

    Segundo a PF, os investigados podem responder pelos crimes de corrupção passiva, advocacia administrativa e lavagem de dinheiro. Também foram decretadas quebras dos sigilos bancário, fiscal e telemático dos envolvidos.

    À imprensa local, o deputado Faissal Calil afirmou ter entregue seu celular e senha à PF e negou qualquer envolvimento no esquema. Ex-servidor do Judiciário mato-grossense, onde atuou no gabinete do desembargador Dirceu dos Santos, o parlamentar disse não manter contato com o magistrado.

    “Desde que virei deputado, que saí do Tribunal de Justiça, perdi todo o meu contato”, declarou Calil aos jornalistas.

    A Agência Brasil tenta contato com o desembargador e com o advogado Bruno Castro, apontado como intermediário. O TJMT ainda não se manifestou sobre as investigações.

    CNJ

    Dirceu dos Santos já responde a processo no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que o afastou das funções em março, após apuração de movimentações financeiras incompatíveis com o salário de juiz.

    Quebras de sigilo bancário e fiscal promovidas pelo CNJ apontam que o magistrado movimentou mais de R$ 14,6 milhões nos últimos cinco anos, tendo recebido oficialmente R$ 1,9 milhão no mesmo período.

    De acordo com o órgão de controle, “foram identificados indícios de que o magistrado proferiu decisões mediante possível recebimento de vantagens indevidas, realizando a intermediação de atos decisórios por meio de terceiros, empresários e advogados”.