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Mulher de 37 enganou mãe adotiva no Rio fingindo ser menina de 12

Caso semelhante ao de Joinville repercute novamente

Por Redação 05/06/2026 18h06
Mulher de 37 enganou mãe adotiva no Rio fingindo ser menina de 12
Mulher de 37 enganou mãe adotiva no Rio fingindo ser menina de 12 - Foto: Reprodução/ Tv Globo

A prisão de Amanda Maria Souza de Oliveira, de 37 anos, em Joinville (SC), acusada de se passar por uma adolescente de 12 anos, trouxe à tona um episódio semelhante ocorrido no Rio de Janeiro em 2023. Antes de adotar a identidade falsa de “Gabriele” em Santa Catarina, ela já havia se apresentado como “Duda” e convencido uma rede de apoio de que era uma menina com autismo que fugia de abusos.

Entre as pessoas que acreditaram na história está a nutricionista Renata Magalhães, de 52 anos. Em entrevista, ela explicou: “A gente não olhava para a mulher, mas para a história que ela contava.”

Segundo Renata e a amiga Viviane Henriques, de 45 anos, diretora de um projeto social, Amanda dizia ter fugido do Ceará após violência do pai e ter chegado ao Rio em caronas com caminhoneiros. Sensibilizadas, as duas foram buscá-la em Magé e providenciaram moradia em Nova Iguaçu.

Viviane relatou: “Quando ela contou a história, me apavorou muito, porque eu já lido com esse tipo de situação.” Ela destacou ainda que a aparência e o comportamento de Amanda reforçavam a farsa: “As pessoas acham absurdo acreditar. Mas, pessoalmente, ela aparentava ser adolescente, sempre com casaco e capuz. Ela alegava ter autismo e tinha uma fala muito infantilizada. Ficamos com o coração na mão.”

Durante cerca de um mês, Amanda recebeu cuidados das duas amigas. Segundo os relatos, ela pedia mamadeira, chupeta e alimentos infantis, além de afirmar que tinha agulhas espalhadas pelo corpo em consequência de rituais do pai. Renata lembrou: “Saía até da boca, era assustador.”

Com o tempo, surgiram suspeitas. Renata contou: “Ela acabou com minha saúde mental, minha vida financeira. Ela me tirou de perto dos meus filhos, fazendo pressão psicológica.”

A investigação revelou sua verdadeira identidade. Amanda foi presa em flagrante por estelionato, falsa identidade e falsidade ideológica, mas acabou liberada após audiência de custódia.

Reincidência em Santa Catarina


O caso voltou a repercutir após a Polícia Civil de Santa Catarina revelar que Amanda repetiu o padrão em Joinville, vivendo por 14 meses com uma família sob a identidade de “Gabriele”.

Viviane desabafou: “Claro que a gente fica chateada com a história, não tenho patrocínio para meu projeto, mobilizei pessoas para ajudar. Aí falavam: ‘Agora vai parar de ser boba’. Mas eu não vou parar de querer ajudar.”

Renata defendeu que o caso seja analisado além da esfera criminal: “Acredito que ela tenha algum tipo de transtorno, que pode ser perigoso. Não é só prender, ela precisa de tratamento.”

A Justiça catarinense manteve a prisão preventiva e determinou exame de sanidade mental, cujo resultado deverá orientar os próximos passos do processo.