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Brasil atinge maior Índice de Desenvolvimento Humano da história

Por Agência Brasil 26/05/2026 11h11
Brasil atinge maior Índice de Desenvolvimento Humano da história

Pela primeira vez, o Brasil ingressou na categoria de países com desenvolvimento humano “muito alto”, segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) Brasil. O novo patamar foi divulgado nesta terça-feira (26), com a publicação da pesquisa Radar IDHM, que apresenta dados do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM).

O índice avalia saúde e longevidade, educação e geração de renda, levando em conta cor (negros e brancos) e sexo (mulheres e homens), com dados referentes aos últimos 13 anos, de 2012 a 2024.

Em 2024, o Brasil atingiu IDHM de 0,805, ante 0,744 em 2012. Segundo a escala do Pnud, o desenvolvimento humano é considerado muito alto quando o índice supera 0,800.

Há 30 anos, quando o Pnud iniciou o cálculo do IDHM, o Brasil estava entre os países de desenvolvimento humano baixo, com índice inferior a 0,555.

Educação impulsiona avanço

De acordo com o Pnud, a educação foi o fator que mais contribuiu para o avanço do IDHM no período, passando de 0,679 em 2012 para 0,798 em 2024.

A coordenadora da Unidade de Desenvolvimento Humano do Pnud Brasil, Betina Barbosa, destacou o papel do Bolsa Família nesse contexto.

“É o programa Bolsa Família que retira quantidade enorme de crianças do trabalho e dá a elas a condição de estar na escola. Aqui vejo diretamente o efeito de uma política pública brasileira”, afirmou.

Betina lembrou que o programa, criado em 2003, começou a apresentar resultados cerca de dez anos depois, quando o primeiro grupo de beneficiários concluiu o ensino fundamental e médio.

Inclusão de famílias negras e de baixa renda

Segundo Betina Barbosa, a melhora dos indicadores educacionais foi mais expressiva entre famílias de baixa renda, especialmente as negras.

“É aqui que a população negra começa a apresentar melhores indicadores, melhor performance em educação. A política pública insere um grupo antes excluído no diálogo do desenvolvimento humano, a partir de 2016, de forma ascendente.”

A especialista reforça que não há alternativa para melhorar o desenvolvimento brasileiro sem incluir a população negra nas políticas públicas — o mesmo vale para as mulheres. “Esses são dois entraves sérios para o Brasil: a desigualdade de raça e a desigualdade de gênero.”

Saúde e renda

Entre os subíndices, a saúde já apresentava patamar de “muito alto desenvolvimento” em 2012 (0,829), reflexo da consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS) após a Constituição de 1988. O crescimento, porém, é mais lento, chegando a 0,860 em 2024.

O parâmetro de renda também evolui de forma mais lenta, passando de 0,732 em 2012 para 0,760 em 2024, dentro do patamar de alto desenvolvimento.

Regiões metropolitanas puxam índice para cima

Dados do Pnud mostram que as regiões metropolitanas concentram os melhores indicadores e puxam o IDHM nacional para cima. Estados das regiões Sul e Sudeste já apresentam índices altíssimos, mas agora regiões metropolitanas do Nordeste também se destacam.

Como exemplo, Betina cita a Grande Teresina (PI), com índice de 0,809.

“Esses territórios, antes responsáveis por baixar a média nacional, agora ajudam o país a alcançar a classificação ‘muito alta’.”

Entre os nove estados do Nordeste, sete regiões metropolitanas já têm IDH muito alto — um feito inédito, segundo o Pnud.

Confira a lista dessas regiões:

  1. Natal – 0,822
  2. Aracaju – 0,809
  3. Grande Teresina – 0,809
  4. Recife – 0,806
  5. São Luís – 0,806
  6. Salvador – 0,803
  7. João Pessoa – 0,803

Impactos da pandemia

O Pnud destaca que, entre 2020 e 2022, o país enfrentou uma crise sistêmica em razão da pandemia de covid-19. Em 2021, o IDHM caiu para 0,757.

A especialista alerta para a falta de resposta rápida diante do colapso, o que agravou os efeitos negativos sobre o desenvolvimento humano.

“Essa negação e o não envolvimento imediato na criação de políticas públicas para combater crises sistêmicas são muito graves”, explicou. “Ainda não nos recuperamos, em termos de esperança de vida, do impacto da covid-19.”

Nesse contexto, a mortalidade infantil é o indicador que mais preocupa o Pnud, pois depende diretamente de políticas públicas ágeis. “Não houve no país uma resposta suficientemente rápida aos impactos da covid-19”, concluiu.