Nacional
Padilha alerta para risco de sarampo entre viajantes da Copa
Ministro da Saúde também criticou o negacionismo em relação às vacinas
Em entrevista à Sputnik Brasil, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, expressou preocupação com o avanço do sarampo nos Estados Unidos, México e Canadá, países que vão sediar a Copa do Mundo de 2026. Ele criticou o negacionismo em relação às vacinas e destacou a parceria com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para ampliar a campanha de imunização.
O aumento dos casos de sarampo nesses países acendeu um alerta entre as autoridades de saúde brasileiras. Com a expectativa de grande fluxo internacional durante o evento esportivo e a queda na cobertura vacinal em algumas regiões, o governo lançou uma campanha direcionada aos viajantes que pretendem acompanhar a Copa. O objetivo é evitar que brasileiros não imunizados sejam expostos ao vírus e, assim, prevenir a reintrodução da doença no Brasil.
Padilha ressaltou que a concentração recente de casos em Estados Unidos, México e Canadá exige atenção especial. Embora tenha havido redução proporcional em relação ao ano anterior, o volume de registros ainda preocupa, sobretudo diante do contexto internacional.
"Os Estados Unidos, Canadá e México concentram a maior parte dos casos de sarampo. No ano passado, 90% dos registros ocorreram nesses países; agora, esse número está em torno de 70%. Nossa preocupação é que casos como esses cheguem ao Brasil e possam se propagar."
Em 2025, o Canadá registrou forte aumento de casos, com 5.062 notificações, o que levou o país a perder o status de livre da doença. Em 2026, já foram contabilizados 871 casos, com transmissão ainda ativa. O México também enfrenta crescimento expressivo: após apenas 7 casos em 2024, saltou para 6.152 em 2025 e já soma 9.207 registros em 2026. Nos Estados Unidos, foram 2.144 casos em 2025 e outros 1.738 neste ano.
Avanço do negacionismo agrava cenário
Ao analisar as causas do aumento recente de casos, Padilha criticou o crescimento dos discursos negacionistas, especialmente em países de grande influência global. Segundo o ministro, a disseminação de informações falsas ou distorcidas sobre vacinas impacta diretamente a cobertura vacinal, favorecendo o ressurgimento de doenças já controladas. Ele destacou que o fenômeno não se limita a um único país, mas ganha destaque nos Estados Unidos, inclusive envolvendo setores políticos.
"Os Estados Unidos vivem atualmente uma explosão de casos devido a políticas e discursos contrários à vacinação, inclusive por parte de autoridades do governo."
Para enfrentar o desafio e ampliar o alcance da mensagem, o Ministério da Saúde aposta em uma ampla rede de parcerias. A estratégia envolve entidades esportivas, setor de turismo e companhias aéreas, aproveitando todos os pontos de contato com viajantes. O objetivo é reforçar a importância da vacinação antes da viagem e reduzir os riscos durante grandes eventos internacionais.
"Temos parceria com a CBF e federações estaduais para divulgação nos estádios. Procuramos as agências de turismo que vendem pacotes de viagem e as companhias aéreas, ou seja, todos os mecanismos para propagar essa campanha."
No Brasil, todas as pessoas entre 12 meses e 59 anos de idade têm indicação para receber a vacina contra o sarampo.


