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Mulher denuncia constrangimento em academia de SP por uso de top

Caso ocorreu em São José dos Campos e gerou repercussão; academia apura episódio após cliente relatar abordagem sobre vestimenta durante treino

Por Redação com g1 24/03/2026 17h05 - Atualizado em 24/03/2026 19h07
Mulher denuncia constrangimento em academia de SP por uso de top
Mulher foi abordada por funcionários da academia por causa de vestimenta - Foto: Reprodução/Redes Sociais

Uma engenheira relatou nas redes sociais ter passado por uma situação de constrangimento dentro de uma unidade da John Boy Academia, no interior de São Paulo. O caso aconteceu no fim de semana e ganhou ampla repercussão online após a cliente afirmar que foi orientada a cobrir o top que utilizava durante o treino.

De acordo com Poliana Frigi, a abordagem ocorreu na recepção do estabelecimento, localizado no bairro Jardim Oswaldo Cruz, em São José dos Campos. Ela contou que usava uma peça comum no ambiente fitness quando foi questionada por uma funcionária.

“Eu estava com um top de academia de uma marca conhecida e fui abordada perguntando se era sutiã. Expliquei que era top, mostrei o material, e mesmo assim disseram que houve reclamação por causa da alça fina”, relatou.

Segundo a engenheira, a funcionária sugeriu que ela vestisse uma camiseta, alegando questões de “segurança”.

“Ela perguntou se eu não poderia colocar uma camiseta, porque havia homens casados no local e que não ficaria bom para mim. Eu fiquei em choque e disse que não iria me cobrir”, afirmou.

Após o episódio, a cliente disse ter se sentido desconfortável durante o restante do treino.

“Comecei a me questionar, olhar no espelho e pensar se havia algo errado com a minha roupa. Isso me fez sentir mal”, desabafou.

Poliana relatou ainda que tentou obter o contato do gerente, mas não conseguiu. Segundo ela, a funcionária informou que a orientação fazia parte dos procedimentos da academia.

“Disseram que estava tudo dentro da regra e não quiseram passar o contato do gerente. Saí de lá estressada e sem vontade de voltar”, declarou.

Debates

A situação levantou debate nas redes sociais sobre padrões de vestimenta e tratamento de mulheres em ambientes de treino.

Em entrevista ao g1, a advogada Raquel Marconde disse que casos como esse podem configurar constrangimento ilegal, dependendo da forma como são conduzidos.

“Se a pessoa é exposta ou humilhada por usar uma roupa adequada ao ambiente, isso pode caracterizar constrangimento ilegal, principalmente se ocorre de forma pública”, explicou.

Ela destaca que academias podem estabelecer regras internas, mas essas normas devem ser claras e previamente informadas aos alunos.

“Sem previsão contratual, não é razoável exigir que o cliente mude a vestimenta, especialmente quando se trata de roupas comuns para a prática de exercícios”, completou.

A orientação, segundo a especialista, é que a vítima registre provas, formalize reclamação e busque orientação jurídica para avaliar possíveis medidas legais, incluindo indenização.

Até o momento, Poliana não registrou boletim de ocorrência e avalia, com apoio jurídico, quais providências poderá adotar.

Posicionamento

Em nota, a John Boy Academia informou que abriu apuração interna para investigar o caso. A empresa afirmou que busca manter um ambiente respeitoso e declarou que está revisando protocolos de atendimento, além de reforçar treinamentos sobre diversidade e inclusão.

“Pedimos desculpas à aluna e a todos que se sentiram afetados. Estamos comprometidos em evoluir com responsabilidade e respeito”, informou a academia.