Eleitorado da capital quer JHC com Flavius, mas ampla maioria do Estado é Lula. E agora, João?

Ex-prefeito também será cobrado a apoiar o presidente por ter nomeado sua tia ministra do STJ

Por Blog do Romero 19/05/2026 12h12
Eleitorado da capital quer JHC com Flavius, mas ampla maioria do Estado é Lula. E agora, João?
Desafio de JHC requer mais que malabarismo para apoiar Lula somente no interior alagoano - Foto: Reprodução

Sem espaço para uma terceira via 'pra valer', a sucessão em Alagoas colocará os candidatos a governador diante das duas opções viáveis na disputa à presidência da República: Lula, concorrendo ao quarto mandato, e Flávio Bolsonaro, representando o bolsonarismo atolado em denúncias milionárias envolvendo Flavius e o banqueiro Vorcaro Master junto com sua turba.

No tabuleiro do jogo sucessório estadual, os aspirantes com reais chances são dois - Renan Filho, do MDB, e João Henrique Caldas, agora do PSDB - mas apenas o primeiro tem posição definida em relação à corrida presidencial: é Lula por convicção, amizade, composição e por visão do futuro.

Isso mesmo, Renan Filho entende que, na conjuntura atual, ninguém governa bem um estado sem apoio, real cooperação e investimentos, muitos recursos do governo federal. Que o digam os governantes de Minas, São Paulo, Rio de Janeiro...

O ex-prefeito JHC também sabe disso, mas não deverá se juntar a Lula por uma estratégia que não lhe convém tornar pública: seu principal reduto eleitoral - Maceió - é formado por maioria bolsonarista.

Por isso, ao seu estilo, deverá fazer acenos, na capital, aos eleitores de Flavius (mesmo tendo abandonado o PL, partido dos Bolsonaros), mas será um gesto calculado que, obviamente, não terá como replicar no interior do Estado.

Esse posicionamento vai deixando claro que o especulado 'acordo de Brasília' limitou-se ao compromisso de JHC apoiar o deputado Arthur Lira, do PP, na corrida ao Senado, porém ele ainda tem que considerar algo que está no ar: a pretensão de sua mãe, atual senadora Eudócia Caldas, e de seu substituto no PL, deputado Alfredo Gaspar, que também podem trilhar a mesma rota do deputado Lira.

Evidente que, além de respaldo ao desejo do ex-presidente da Câmara, Lula também queria e quer o apoio do ex-prefeito de Maceió à reeleição do senador Renan Calheiros (MDB) e ao projeto do ex-governador Renan Filho (também MDB) de retornar ao Palácio República dos Palmares.

Então, nesse cenário, o ideal para o herdeiro político de João Caldas seria colocar os pés em dois barcos, apoiando Flavius na capital e Lula, no interior. A questão é: o palco em Alagoas comportaria esse tipo de malabarismo?

E aí um desafio, uma barreira (inexistente no caminho de Renan Filho) se ergue na trajetória de JHC mirando o governo alagoano: como, em pretensa posição de 'neutralidade', pedir voto a um eleitorado consciente da dependência que Alagoas terá em relação ao futuro governo federal, e ainda mais com Lula se mantendo como franco favorito?

Para se ter uma ideia, em composição com Renan pai e Renan Filho, no ano passado Lula inscreveu R$ 11 bilhões no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para investir exclusivamente em Alagoas até 2030...

Além disso, resta ainda avaliar qual será a reação dos eleitores que viram Lula atender insistentes apelos de JHC, para nomeação de sua tia, Marluce Caldas, como ministra do Superior Tribunal de Justiça.

Como esses eleitores reagirão vendo agora o ex-prefeito regatear apoio 'sincero e declarado' ao presidente da República em busca da reeleição?

EM TEMPO

Com relação ao subtítulo do comentário, eis os números finais da sucessão presidencial de 2022, aqui em Alagoas:

Percentual - Lula venceu Jair Bolsonaro com 58,68% dos votos contra 41,32% atribuídos a Bolsonaro.

Votos válidos: Lula obteve 976.831, enquanto Jair Bolsonaro somou 687.327, uma diferença, portanto, de quase 300 mil sufrágios.

FATOR DECISIVO

Os números são eloquentes, mas há ainda um fator adicional a ser levado em conta: o incansável Paulo Dantas, um governador maratonista cobrindo o Estado com incontáveis realizações, investindo pesado na mobilidade de Maceió e entregando obras todos os dias ao conjunto dos municípios alagoanos, mas essa é outra história...

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Sobre o blog

Iniciou-se no Jornalismo como redator do Diário de Pernambuco. Foi editor do Diário da Borborema (PB) e do Jornal de Alagoas. Exerceu os cargos de secretário de Comunicação da Prefeitura de Maceió e do Estado de Alagoas.

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