Política
JHC fecha acordo com Lira e Gaspar e agora é tudo ou nada ao governo
Na semana passada, o ex-prefeito de Maceió passou parte dos dias na capital federal
O “desaparecimento” de JHC (PSDB) das agendas políticas em Alagoas nos últimos dias pode ter uma explicação política. E ela passa diretamente por Brasília.
Na semana passada, o ex-prefeito de Maceió passou parte dos dias na capital federal. No fim de semana, foi ao Rio de Janeiro para um compromisso pessoal. Nesta segunda-feira (18/05), retomou a agenda em Brasília.
E é justamente lá que, segundo interlocutores, avançam as conversas para um acordo político entre JHC, Arthur Lira (PP) e Alfredo Gaspar (PL).
As negociações acontecem depois que o grupo de Lira tentou retirar Gaspar da disputa ao Senado, mas não conseguiu. Presidente do PL em Alagoas, ele recebeu garantia da família Bolsonaro de que terá a legenda do partido e consolidou apoio do bolsonarismo.
Agora, a tendência é de composição. O acordo prevê JHC candidato ao governo, enquanto Arthur Lira e Alfredo Gaspar disputariam as duas vagas ao Senado.
A informação foi confirmada por fontes dos grupos políticos. “Alfredo e Arthur estão conversando direto com JHC. Vai dar tudo certo”, garante um interlocutor do PSDB. “Está tudo resolvido. A chapa será JHC, Lira e Gaspar”, pondera um interlocutor do PP.
O entendimento deve ser anunciado provavelmente a partir desta quarta-feira. E se avançar, a primeira consequência seria a retirada da pré-candidatura à reeleição da senadora Eudócia Caldas (PSDB). Ela perderia espaço na majoritária — mas poderia disputar outro cargo, seja proporcional ou suplência.
Outro problema é a definição do palanque nacional. Gaspar afirmou, em várias entrevistas, que um entendimento com JHC passa pelo apoio a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro.
Isso obrigaria JHC a abandonar o discurso de neutralidade ou independência. E não é o único problema interno da futura chapa.
O vice-governador Ronaldo Lessa (PDT), que rompeu com Paulo Dantas (MDB) entrou no projeto de JHC com expectativa de disputar a vice-governadoria. Mas Lessa é identificado historicamente com a esquerda e com o campo lulista.
A dúvida agora é como ele se encaixaria numa chapa que teria apoio declarado ao bolsonarismo e presença de Alfredo Gaspar, hoje o nome mais identificado ideologicamente com a direita em Alagoas.
Esse passa a ser o novo desafio político da oposição. Unir, no mesmo palanque, grupos que estão em lados opostos da disputa nacional.
Sem volta
Mas o principal impacto talvez seja outro. O acordo coloca JHC num caminho sem volta. Até o início de abril, antes de deixar a Prefeitura de Maceió, ele ainda tinha margem para escolher entre permanecer no mandato, disputar o Senado ou entrar na corrida pelo governo. O novo entendimento político praticamente elimina essas alternativas.
Se fechar a composição com Arthur Lira e Alfredo Gaspar, JHC vai para o tudo ou nada e passa a ter apenas um destino político possível em 2026: disputar o governo de Alagoas.


