Nacional

Governo revoga decreto sobre privatização de hidrovias na Amazônia

Decisão anunciada por Guilherme Boulos suspende inclusão da Hidrovia do Tapajós no PND após 33 dias de protestos em Santarém

Por Redação com g1 24/02/2026 14h02
Governo revoga decreto sobre privatização de hidrovias na Amazônia
Indígenas comemoraram a decisão em Santarém - Foto: Blog do Siki

O Governo Federal decidiu revogar o Decreto 12.600 após reunião com lideranças indígenas das regiões do Tapajós, Tocantins e Madeira. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (23) pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, por meio das redes sociais.

A medida ocorre após 33 dias de mobilização de povos indígenas do Baixo, Médio e Alto Tapajós, que mantinham ocupação em uma via estratégica que dá acesso ao porto da multinacional Cargill, em Santarém, no oeste do Pará.

O protesto contestava a inclusão da Hidrovia do Tapajós no Programa Nacional de Desestatização (PND), prevista no decreto agora revogado. A proposta abria caminho para a dragagem do rio no trecho entre Santarém e Itaituba, com o objetivo de ampliar a navegação e o escoamento da produção agrícola.

Segundo Boulos, a decisão foi tomada após encontro realizado em Brasília, onde representantes indígenas apresentaram suas demandas e críticas à medida. “Anunciamos a decisão do governo Lula de revogar o decreto 12.600, após me reunir hoje com os povos indígenas do Tapajós, Tocantins e Madeira”, publicou o ministro.

De acordo com ele, a revogação será formalizada na próxima edição do Diário Oficial da União. O ministro também afirmou que o governo mantém diálogo permanente com movimentos sociais e comunidades tradicionais, destacando que a decisão atende às reivindicações apresentadas pelas lideranças indígenas.

Com a revogação, o Executivo recua da proposta de incluir a Hidrovia do Tapajós no PND, em meio ao debate sobre impactos ambientais, direitos dos povos indígenas e projetos de infraestrutura na Amazônia.