Nacional
Polícia apreende 40 quilos de “cocaína negra” em mansão em Manaus
Droga foi modificada para driblar cães farejadores e testes rápidos; destino seria a Austrália
A Polícia Militar do Amazonas apreendeu cerca de 40 quilos de “cocaína negra” em uma mansão no bairro Ponta Negra, área nobre de Manaus. A substância é uma variação da cocaína tradicional, quimicamente modificada para ser indetectável por cães farejadores e testes preliminares.
Segundo a perita Midori Hiraoka, entrevistada pelo programa Fantástico, da TV Globo, os traficantes misturam carvão ativado e corantes à cocaína branca, formando um composto que mascara o odor e impede a reação química que revelaria a droga nos testes rápidos.
A operação teve início em 17 de outubro, quando agentes do Departamento de Investigação sobre Entorpecentes (Denarc) encontraram 16 quilos de cocaína comum na residência. Durante a ação, um caderno com anotações chamou a atenção dos investigadores. Nele, havia registros de “40 quilos, 42 quilos dentro de cadeiras e de quadros”.
A polícia retornou ao local com cães farejadores, mas os animais não detectaram a droga. A substância foi localizada apenas após uma inspeção manual nos fundos falsos de móveis e quadros. Os testes iniciais não indicaram a presença de entorpecentes, mas exames laboratoriais confirmaram que se tratava de cocaína.
De acordo com o delegado geral Bruno Fraga, a chamada “engenharia criminosa” torna a droga mais difícil de ser identificada e eleva seu valor de mercado, podendo custar até dez vezes mais que a cocaína tradicional. A carga teria vindo do Peru e tinha como provável destino a Austrália.
O coronel Vinícius Almeida, secretário de Segurança do Amazonas, informou que, em 2024, foram apreendidas 43,2 toneladas de drogas no estado. Em 2025, o volume já chega a 39 toneladas. A droga entra no país pela rota do Solimões, que atravessa a Amazônia a partir da tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru. A rota é historicamente usada por organizações criminosas e atualmente está sob domínio do Comando Vermelho.
Na operação, foram presos os peruanos German Alonso Pires Rodrigues e Jeyme Farias Batalha. German trabalhava há mais de dez anos para a proprietária da mansão, uma mulher de 74 anos que estava fora do país no momento da ação. A defesa do casal solicitou novo depoimento, mas não comentou sobre a droga apreendida. A defesa da proprietária informou que ela está à disposição das autoridades e que o anexo onde a droga foi encontrada era destinado à moradia do caseiro.
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