Municípios

MPF e MPAL recebem acervo cultural de bairros atingidos pela Braskem

Pesquisa da Ufal reúne cinco terabytes de entrevistas, mapas e registros audiovisuais

Por Redação 14/10/2026 09h09
MPF e MPAL recebem acervo cultural de bairros atingidos pela Braskem
Levantamento identificou agentes culturais espalhados por 61 localidades após a desocupação - Foto: Assessoria

Um inventário sobre o patrimônio cultural imaterial dos bairros atingidos pela mineração da Braskem, em Maceió, reuniu histórias de 330 fazedores de cultura e registrou 75 expressões culturais. O acervo foi apresentado no dia 7, no Museu Théo Brandão, com acompanhamento do Ministério Público Federal (MPF) e do Ministério Público de Alagoas (MPAL).

O levantamento foi desenvolvido pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e reúne registros ligados aos bairros Bebedouro, Bom Parto, Farol, Mutange e Pinheiro. Segundo a pesquisa, agentes culturais dessas comunidades passaram a viver em 61 localidades, dentro e fora de Maceió, após a desocupação das áreas afetadas pelo afundamento do solo.

O material integra o Inventário Participativo do Patrimônio Cultural Imaterial (IPCI Maceió), que reúne aproximadamente cinco terabytes de informações, entre entrevistas, mapas, registros audiovisuais e relatos de antigos moradores. Os dados foram disponibilizados na plataforma do Inventário Nacional de Referências Culturais (INRC), vinculada ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Pesquisa buscou preservar tradições


Coordenado pelas professoras Josemary Ferrare e Adriana Guimarães, o trabalho teve como um dos principais desafios localizar pessoas que deixaram suas comunidades após a desocupação. A pesquisa contou com a participação dos próprios agentes culturais e foi executada pela Ufal, por meio da Fundação Universitária de Desenvolvimento de Extensão e Pesquisa (Fundepes).

A iniciativa faz parte do Plano de Ações Sociourbanísticas (PAS), previsto nas medidas de reparação pelos danos provocados pela mineração da Braskem, com acompanhamento do MPF e do MPAL.

Durante a apresentação do inventário, a procuradora da República Roberta Bomfim destacou a importância de preservar as memórias individuais e coletivas das comunidades atingidas. Segundo ela, o reconhecimento dessas histórias também representa uma forma de reparação, diante do risco de apagamento de experiências associadas aos territórios desocupados.

A procuradora Juliana Câmara ressaltou que a preservação cultural surgiu como uma preocupação dos próprios moradores durante as discussões sobre o acordo de reparação.

“A cultura é aquilo que dá identidade, dá uma sensação de pertencimento. Em momentos difíceis como esse, também é um remédio para uma dor que machuca”, afirmou.

O promotor de Justiça Jorge Dória, representante do MPAL, destacou que o inventário poderá contribuir para novas iniciativas de valorização cultural, elaboração de políticas públicas e desenvolvimento de projetos voltados às comunidades afetadas.

Acervo poderá orientar ações de reparação


O levantamento foi financiado com recursos provenientes das obrigações assumidas pela Braskem no acordo socioambiental. Além de documentar a história das comunidades, o material poderá servir de base para editais culturais, ações de salvaguarda e outras iniciativas de reparação.

A proposta é contribuir para a continuidade das tradições e manifestações culturais que perderam seus espaços de origem após a desocupação dos bairros, preservando referências importantes para a identidade e o pertencimento dos antigos moradores.