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Moradores de Maceió se mobilizam contra mudança no abastecimento

A principal preocupação dos moradores é perder os sistemas comunitários utilizados há décadas sem que haja garantias sobre a regularidade do novo abastecimento

Por Redação 23/09/2026 09h09 - Atualizado em 23/09/2026 09h09
Moradores de Maceió se mobilizam contra mudança no abastecimento
Bairros de Maceió contestam proposta de desativação de poços - Foto: Reprodução

Moradores de Guaxuma, Riacho Doce e Garça Torta se mobilizam contra a proposta de substituição dos sistemas locais de abastecimento de água por uma rede integrada ao Sistema Pratagy. A mudança, apresentada pela BRK Alagoas, prevê a desativação gradativa dos poços que atualmente atendem as comunidades, incluindo também o povoado Saúde.

A principal preocupação dos moradores é perder os sistemas comunitários utilizados há décadas sem que haja garantias sobre a regularidade do novo abastecimento, os investimentos em saneamento e os custos que poderão ser cobrados pela concessionária.

Em Guaxuma, a mobilização reúne moradores da parte alta do bairro, incluindo o conjunto Elias Pontes Bonfim e o Alto da Boa Vista. Nessas áreas, o abastecimento é realizado por estruturas mantidas pela própria comunidade, com bombas administradas pela associação de moradores e por particulares. A proposta de desativação dos poços é rejeitada pelas lideranças, que defendem a continuidade da gestão independente.

O Instituto Sociedade Alternativa, por meio do projeto Guaxuma Unida, aponta entre as preocupações da comunidade a cobrança de tarifas, a ausência de garantias sobre a segurança e a regularidade do fornecimento e a possibilidade de perda do controle comunitário sobre fontes utilizadas há décadas.

A mobilização também chegou a Riacho Doce e Garça Torta, onde os moradores contam igualmente com sistemas locais de abastecimento. Em Riacho Doce, o chamado Sistema Riacho Doce é formado por poços que captam água do lençol freático. A estrutura possui cinco poços, entre eles o P-MAC-RD-01, atualmente paralisado temporariamente.

As associações de moradores dos dois bairros participam das articulações contra a mudança. A Associação dos Moradores e Amigos de Riacho Doce (Amard) e a Associação dos Moradores de Garça Torta (AMGT) têm participado de reuniões e discussões com a concessionária. Entre os questionamentos apresentados estão a continuidade do abastecimento, a realização de investimentos em esgotamento sanitário e os valores das tarifas.

Enquanto em Guaxuma o sistema é administrado de forma comunitária e independente, em Riacho Doce e Garça Torta o abastecimento também envolve estruturas operadas pela Casal e por particulares. Para os moradores, a substituição desses sistemas precisa vir acompanhada de garantias sobre o fornecimento de água e o saneamento.

A mobilização, até o momento, ocorre por meio das redes sociais, da atuação de associações e de medidas encaminhadas por advogados à Arsal e ao Ministério Público. Entre as possibilidades discutidas pelas comunidades está a realização de um protesto conjunto, com eventual fechamento da AL-101 Norte.