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Com aneurisma, mulher espera cirurgia de 500 mil e cobra decisão da Justiça

Moradora de Arapiraca convive com um aneurisma cerebral gigante e aguarda que o Estado cumpra decisões judiciais que determinam o agendamento do procedimento.

Por Redação 06/07/2026 17h05
Com aneurisma, mulher espera cirurgia de 500 mil e cobra decisão da Justiça
Maria Rosineide dos Santos convive com fortes dores, limitações e aguarda uma cirurgia de alta complexidade. - Foto: Reprodução

A dona de casa Maria Rosineide dos Santos, de 52 anos, vive uma corrida contra o tempo enquanto aguarda uma cirurgia de alta complexidade para tratar um aneurisma cerebral gigante. Moradora da zona rural de Arapiraca, ela depende do cumprimento de decisões judiciais que determinam o agendamento do procedimento, orçado em mais de R$ 500 mil e sem cobertura pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Moradora da Vila São José, na zona rural de Arapiraca, Maria Rosineide enfrenta uma rotina marcada por restrições e incertezas desde que recebeu o diagnóstico de um aneurisma cerebral gigante. Vivendo com o auxílio do Bolsa Família, ela afirma não ter condições de arcar com o procedimento, considerado de alta complexidade e de elevado custo.


Os primeiros sintomas surgiram em fevereiro de 2025, quando procurou atendimento no Hospital Regional de Arapiraca após uma intensa dor de cabeça. Na ocasião, passou por exames e recebeu alta com encaminhamento para investigação de uma suspeita inicial de tumor cerebral.


O diagnóstico definitivo só foi confirmado meses depois, após consultas com especialistas e a realização de uma angiografia cerebral pelo SUS. Conforme laudo do setor de neurologia do Hospital Metropolitano de Maceió, a paciente apresenta uma lesão aneurismática gigante com comprometimento óptico e motor.


Segundo familiares, a doença provoca fortes dores de cabeça, tonturas e episódios frequentes de visão turva, além de impedir que Maria Rosineide realize qualquer esforço físico.


"Qualquer barulho a mais é o suficiente para fazer com que ela passe mal, com tontura. Às vezes também fica com a vista turva, fora as dores de cabeça. Mas para quem não sabe do aneurisma, quem a vê não imagina as limitações que ela vive. Ela não pode fazer nenhum tipo de esforço, porque pode ser fatal. E a única forma de ela voltar a ter uma vida normal é passar por essa cirurgia", relata a sobrinha, Daniele Santos Barbosa.


De acordo com a família, somente os materiais necessários para o procedimento custam cerca de R$ 350 mil, enquanto o valor total da cirurgia ultrapassa R$ 500 mil. Como o tratamento não é ofertado pelo SUS, os parentes ingressaram na Justiça, em julho de 2025, para solicitar que o Estado custeasse a intervenção.


A primeira decisão favorável foi concedida no mês seguinte. No entanto, segundo a família, os prazos estabelecidos pelo Judiciário não foram cumpridos.


Em fevereiro deste ano, uma nova determinação judicial reforçou a necessidade de agendamento da cirurgia. Após a atualização dos exames médicos, a Justiça voltou a intimar o Estado e, em maio, estabeleceu prazo para que a Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas (Sesau) marcasse o procedimento, sob pena de bloqueio judicial de recursos. Conforme os familiares, o prazo terminou no último dia 19 sem que a cirurgia fosse agendada.


Diante da demora, a família faz um novo apelo para que a decisão judicial seja efetivamente cumprida.


"Ela simplesmente não pode viver a vida, porque qualquer esforço, qualquer emoção mais forte, é um risco. E nós não sabemos mais o que fazer para ajudar. A Justiça já garantiu o direito dela, mas o estado está ignorando todos os prazos. Todos nós da família fazemos um apelo do fundo do coração ao governo do estado, à Secretaria de Saúde e aos juízes de plantão, para que olhem para o caso da minha tia como se fosse de uma parente deles e façam essa cirurgia acontecer", complementa Daniele Santos Barbosa.


Até o momento, a paciente permanece aguardando o agendamento do procedimento.