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Escola Estadual Correia Titara transforma a educação em Marechal Deodoro

Inaugurada em 9 de março de 2020, a nova sede da escola atendeu a uma demanda histórica dos moradores locais e garantiu a continuidade das atividades da instituição

Por Agência Alagoas com Redação 15/06/2026 05h05
Escola Estadual Correia Titara transforma a educação em Marechal Deodoro
Unidade de ensino facilitou a vida de estudantes que gastavam tempo em ônibus para poder estudar - Foto: Kaique Pacheco / Ascom Seduc

A transferência da Escola Estadual José da Silva Correia Titara de Maceió para o povoado de Massagueira, em Marechal Deodoro, completa seis anos e consolida o acesso ao ensino médio na Região dos Canais — que engloba, além da própria Massagueira, os povoados da Barra Nova e Santa Rita.

Inaugurada em 9 de março de 2020, a nova sede da escola atendeu a uma demanda histórica dos moradores locais e garantiu a continuidade das atividades da instituição, cujo prédio original precisou ser desocupado.

A trajetória da unidade carrega um legado marcante para a Educação de Alagoas. Originalmente situada no Centro Educacional de Pesquisa Aplicada (Cepa), em Maceió, a escola foi referência por décadas na formação de educadores, ofertando o tradicional Curso Normal (antigo Magistério). Contudo, problemas estruturais e geológicos ocasionados pela mineração no bairro do Pinheiro levaram à desocupação do prédio e à transferência para Marechal Deodoro.

Na época da mudança, Massagueira já era um polo gastronômico e turístico do estado, com grande população. Porém, os jovens da região não contavam com uma escola de ensino médio próxima e precisavam percorrer 15 km até o centro de Marechal Deodoro, utilizando transporte escolar.

Hoje, integrada à 1ª Gerência Especial de Educação (GEE), a escola oferece à comunidade 12 salas de aula climatizadas, ginásio poliesportivo, campo society, laboratórios de informática, biologia, física e química, além de auditório e biblioteca.

O impacto real

O diferencial do Titara está nos resultados proporcionados aos alunos. Steffane Santos, ex-estudante da instituição entre 2021 e 2023, atualmente cursa o 4º período de Matemática na Universidade Federal de Alagoas (UFAL).

Moradora do bairro desde os 11 anos, Steffane relembra a dificuldade de acesso antes da inauguração da nova sede, dependendo de ônibus escolares para chegar ao centro de Marechal. Com a chegada da escola à Massagueira, novas oportunidades surgiram.

"A escola é essencial para o jovem perceber que pode conquistar seus objetivos. Até então, eu nem sabia o que era uma graduação, uma licenciatura, o Sisu ou o Fies. Foram os professores que trouxeram essas informações e nos ajudaram a construir um projeto de vida", afirma a universitária.

No início, em 2021, em meio à pandemia da Covid-19, as aulas eram híbridas e as máscaras dificultavam o aproveitamento pleno dos laboratórios. A mudança veio em 2022, com o retorno presencial e o incentivo diário de professoras como Daffney Lins (Matemática), Natiely Sampaio e Lucilene Rodrigues. A paixão pelo magistério nasceu ali, quando Steffane participou do conselho escolar e conheceu os bastidores da educação.

"A escola era nossa segunda casa, viramos uma verdadeira família. Se não fossem aqueles professores, talvez eu não estivesse na UFAL hoje. Carrego o Titara no coração como um lugar de transformação real", destaca Steffane.

Estratégias práticas

Atualmente sob a gestão de Lucilene Rodrigues da Silva, a escola atende 514 alunos nos três turnos. O destaque é o ensino médio integral, com jornada de 9 horas diárias para 405 estudantes, que saem com diploma regular e formação técnica em Contabilidade, Administração ou Informática. No período noturno, a unidade recebe mais 109 alunos na Educação de Jovens e Adultos (EJA).

Para evitar a evasão escolar, a equipe adota duas estratégias de monitoramento. A primeira é o Monitoramento de Permanência 48h: se o aluno do Integral ou da EJA faltar dois dias consecutivos sem justificativa, o professor mentor ou mediador entra em contato imediato com os pais ou com o próprio estudante. A ação rápida tem revertido muitos casos de abandono ao longo do semestre.

A segunda estratégia é o Acolhimento Noturno na EJA. Como a maioria dos alunos da noite trabalha, a escola oferece recepção humanizada e flexibilidade controlada na pauta, o que estabilizou a frequência dos estudantes que antes abandonavam os estudos devido a atrasos no trabalho ou no transporte.

Para a gestora adjunta, Chrisnia Costa, que iniciou sua trajetória na escola como professora, ver essas histórias se multiplicarem é o combustível do trabalho pedagógico. "Nosso maior orgulho é o profundo senso de pertencimento e o desenvolvimento que floresceu depois de tempos tão difíceis. Ver hoje a escola viva, pulsante, com os alunos ocupando e cuidando do espaço como extensão de suas casas, é emocionante", ressalta.

Já para a gerente da 1ª GEE, Márcia Malafaia, a consolidação da estrutura vai além dos números de matrículas e reflete-se no bem-estar social de toda a região. "A mudança das instalações trouxe inúmeros benefícios, sobretudo para a comunidade estudantil de Marechal Deodoro. Além da Massagueira e Região dos Canais, a escola atende também povoados como Jiboia e Riacho Velho. Com estrutura moderna, proporciona aos estudantes conforto e condições adequadas para o processo de ensino-aprendizagem", conclui Márcia.