Polícia

Operação mira grupo de água mineral por fraude milionária em AL

Ministério Público investiga esquema de sonegação fiscal e lavagem que teria causado rombo de R$ 49 milhões aos cofres estaduais

Por Esther Barros 15/06/2026 07h07
Operação mira grupo de água mineral por fraude milionária em AL
. - Foto: MPE

A força-tarefa coordenada pelo Ministério Público de Alagoas desencadeou, nesta segunda-feira (15), uma operação contra um grupo empresarial do setor de água mineral suspeito de envolvimento em um esquema de fraudes tributárias, sonegação fiscal e ocultação de patrimônio. Batizada de “Watergate”, a ação investiga um prejuízo estimado em mais de R$ 49 milhões aos cofres públicos estaduais.

As diligências foram conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate à Sonegação Fiscal e Lavagem de Bens (GAESF), com apoio da Polícia Civil e de outros órgãos estaduais. Ao todo, foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão autorizados pela 17ª Vara Criminal da Capital, especializada em organizações criminosas. A investigação alcança seis pessoas físicas e nove empresas ligadas ao grupo econômico.

Além das buscas, a Justiça determinou o bloqueio de imóveis, veículos e ativos financeiros dos investigados, medida que busca garantir eventual ressarcimento ao Estado caso as irregularidades sejam confirmadas.

De acordo com o Ministério Público, a empresa apontada como principal articuladora do esquema já acumula quase R$ 9,5 milhões em débitos de ICMS inscritos em dívida ativa. Paralelamente, outra apuração administrativa em andamento estima uma dívida tributária que pode ultrapassar R$ 40 milhões.

As investigações apontam que o grupo teria utilizado uma rede de empresas interligadas para reduzir artificialmente o recolhimento de impostos. A suspeita é de que produtos fossem negociados entre companhias do mesmo conglomerado por valores abaixo dos praticados no mercado, estratégia que impactaria diretamente a arrecadação do ICMS em Alagoas.

Segundo os órgãos de controle, os valores investigados seriam suficientes para financiar a construção de cerca de duas mil moradias populares, dimensão que reforça o impacto econômico atribuído ao esquema.

Outro ponto apurado envolve incentivos fiscais concedidos por meio do Programa de Desenvolvimento Integrado do Estado de Alagoas (Prodesin). O Ministério Público e a Secretaria da Fazenda irão analisar se os benefícios foram utilizados de forma regular pelas empresas investigadas.

A operação contou ainda com apoio da Secretaria de Segurança Pública, Procuradoria-Geral do Estado, Polícia Militar e Departamento Estadual de Aviação. O nome “Watergate” faz referência direta ao ramo de atuação do grupo empresarial, ligado à exploração e comercialização de água mineral.

*Com informações Assessoria