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Orquestra feminina amplia acesso à música clássica em Taquarana
Projeto forma meninas no agreste de Alagoas e une inclusão social, cultura e protagonismo juvenil
No agreste de Alagoas, um projeto cultural tem transformado a realidade de jovens por meio da música. Em Taquarana, a Orquestra Mariar reúne 48 meninas, com idades entre 10 e 17 anos, em uma formação sinfônica composta exclusivamente por mulheres, aliando formação artística, inclusão social e protagonismo feminino.
A iniciativa faz parte do projeto Música Mariar, desenvolvido pela Casa das Marias, com apoio da Lei Rouanet e do Ministério da Cultura. A aula inaugural ocorre nesta quarta-feira (25), às 14h, no ginásio da Escola Municipal Maria Iraci, com apresentação da Orquestra de Professores da instituição.
Idealizado por Cléa Paixão, fundadora da Casa das Marias, o projeto surgiu com o objetivo de fortalecer mulheres por meio da cultura. “Nasceu do desejo de fortalecer as meninas, mulheres e idosas da minha terra natal, oferecendo novos horizontes e oportunidades. Acredito que uma mulher fortalecida diz não à violência e a tudo que não lhe faz bem”, afirmou.
Além do ensino musical, a proposta envolve formação integral das participantes. As alunas e suas famílias terão acompanhamento social e acesso a atividades formativas que incluem cidadania, direitos das mulheres e construção de projetos de vida. O desenvolvimento técnico também faz parte do processo, com aprendizado de leitura de partituras e prática instrumental.
Mesmo em fase inicial, o projeto já apresenta resultados. Segundo a organização, o interesse das participantes tem sido imediato, com relatos de identificação e entusiasmo com os instrumentos musicais.
A expectativa é que, ainda no primeiro semestre, as jovens estejam aptas a executar repertórios que vão da música popular brasileira ao erudito. Há também planos de expansão, incluindo apresentações em outros municípios de Alagoas.
A criação de uma orquestra exclusivamente feminina representa uma ruptura com padrões históricos da música erudita, tradicionalmente marcada pela predominância masculina. No interior do Nordeste, o impacto simbólico é ainda mais relevante, ampliando a representatividade e o acesso a espaços culturais.
Além de promover inclusão, o projeto busca democratizar o acesso à música clássica em uma região onde as oportunidades culturais são mais restritas. A iniciativa reforça o papel da arte como ferramenta de transformação social.
Para viabilizar as atividades, o projeto conta com recursos captados por meio da Lei Rouanet. O Ministério da Cultura autorizou a captação de R$ 885,7 mil, dos quais cerca de R$ 200 mil já foram garantidos. A execução ocorre de forma proporcional aos recursos disponíveis.
Mesmo com desafios na captação, especialmente na região Nordeste, o projeto segue em andamento, com apoio inicial do Banco do Nordeste.
Com a Orquestra Mariar, Taquarana passa a integrar iniciativas que ampliam o acesso à cultura no país, demonstrando que é possível formar talentos e promover inclusão social por meio da música.
*Com informações da Assessoria


