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Moeda social impulsiona economia local em Piaçabuçu

Iniciativa com banco comunitário e cooperativa de crédito amplia acesso a serviços financeiros e inspira novos projetos

Por Redação* 16/03/2026 12h12 - Atualizado em 16/03/2026 12h12
Moeda social impulsiona economia local em Piaçabuçu
Presidente da Coopaiba, Antonino Cardozo, e o presidente do banco EDG, Pedro Vinícius, destacam que a iniciativa tem transformado a economia de Piaçabuçu - Foto: Assessoria

Uma iniciativa criada no município de Piaçabuçu, no Litoral Sul de Alagoas, começa a ganhar destaque como referência de desenvolvimento territorial baseado na cooperação. A criação de uma moeda social vinculada ao banco comunitário “É da Gente” integra uma experiência considerada pioneira no estado: a articulação entre uma cooperativa de crédito e um banco de economia solidária, ampliando o acesso da população a serviços financeiros e estimulando a economia local.

A proposta fortalece a circulação de recursos dentro da própria comunidade e já passa a ser observada como modelo para outros territórios interessados em impulsionar a economia por meio do cooperativismo.

O Banco É da Gente surgiu a partir da Cooperativa dos Agricultores Familiares e Empreendimentos Solidários de Piaçabuçu como resposta à ausência de agências bancárias no município.

“Surgiu dentro de um contexto de desbancarização. Não havia agências oficiais em Piaçabuçu, e os serviços financeiros estavam concentrados na cidade vizinha, Penedo, o que gerava impactos negativos para a economia local”, explica o presidente do banco, Pedro Vinícius.

Como parte da expansão das atividades, o banco comunitário lançou recentemente a moeda social É da Gente (EDG) e uma nova plataforma digital chamada Assertivo, ampliando as possibilidades de acesso da população aos serviços financeiros.

Desenvolvida em parceria com o Instituto Assertiva, a plataforma permite a realização de pagamentos, transferências e outras operações por meio de aplicativo, facilitando o uso da moeda social e fortalecendo sua circulação dentro da própria comunidade.

A moeda social funciona em formato digital e físico e mantém paridade com a moeda nacional.

“A moeda mantém lastro com o real e funciona de forma paritária: 1 EDG equivale a R$ 1. O objetivo é que ela circule exclusivamente em Piaçabuçu, fortalecendo o comércio local e as relações econômicas dentro da cidade”, explica Pedro.


Intercooperação fortalece sistema financeiro comunitário


A estrutura do banco comunitário foi construída a partir de um processo de intercooperação entre organizações do território. Segundo o presidente do banco, o processo de incubação começou dentro da própria Coopaiba, que já possuía uma base de cooperados e realizava movimentações financeiras entre seus membros.

Com a ampliação da iniciativa, o projeto passou a contar também com a parceria da Cooperativa de Crédito do Agreste Alagoano, responsável por contribuir com a estrutura financeira da operação.

“O banco surgiu dentro da cooperativa e, a partir da necessidade de ampliar a atuação, estabelecemos um processo de intercooperação com a Cooperagre. Essa parceria dá maior robustez à iniciativa e fortalece o que hoje já é considerado uma experiência modelo dentro do sistema nordestino de finanças solidárias”, afirma.

Impacto econômico no município


Em cerca de três anos de funcionamento, o banco comunitário já movimentou aproximadamente R$ 6,5 milhões em moeda social em uma comunidade com cerca de 17 mil habitantes.

De acordo com os organizadores, a circulação da moeda dentro do próprio município tem contribuído para fortalecer o comércio local, ampliar o acesso da população a serviços financeiros e estimular o consumo na cidade.

Cooperativismo como base do modelo


A experiência também evidencia o potencial do cooperativismo como ferramenta de desenvolvimento territorial. O sistema criado em Piaçabuçu reúne diferentes organizações em um ecossistema que envolve cooperativas de produção, cooperativa de crédito, associações comunitárias e grupos de mulheres e jovens.

“Esse modelo funciona como um ecossistema. Conseguimos integrar cooperativas de produção, cooperativas de crédito, associações de mulheres e o trabalho com a juventude, criando um sistema de autofinanciamento e autogestão dentro da própria comunidade”, explica Pedro.

Experiência pode inspirar outros municípios


O modelo desenvolvido em Piaçabuçu já começa a atrair a atenção de outras regiões e pode inspirar novas iniciativas de finanças solidárias em Alagoas. A experiência também dialoga com projetos desenvolvidos em parceria com a Secretaria Nacional de Economia Popular e Solidária, que preveem a expansão do modelo.



“A experiência fala por si só. Hoje ela já se tornou uma pauta não apenas regional, mas também nacional. Temos projetos junto à Senaes que preveem a abertura de mais quatro bancos comunitários em Alagoas”, afirma.

Modelo fortalece políticas públicas


Para o secretário executivo de Cooperativismo, Associativismo e Economia Solidária da Secretaria de Estado do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços de Alagoas, Benedito Júnior, iniciativas como a de Piaçabuçu demonstram o potencial do cooperativismo para impulsionar o desenvolvimento econômico em diferentes territórios.

“A experiência de Piaçabuçu demonstra como o cooperativismo e a economia solidária podem criar soluções inovadoras para fortalecer a economia local, ampliar o acesso a serviços financeiros e gerar oportunidades para a população. O que temos aqui é uma experiência única: uma cooperativa de crédito atuando como aporte financeiro para um banco comunitário que opera com moeda social”, destaca.

Segundo o secretário, a experiência também vem sendo debatida em eventos nacionais, como o Congresso de Economia Solidária e Moedas Sociais, como um modelo que pode ser replicado em outros territórios.

*Com informações da Sedics