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Pai é preso após desviar R$ 113 mil que seriam para tratamento de bebê amputado em AL

Dinheiro doado para Noah, de 1 ano, foi gasto em apostas online, drogas e aluguel de carro; Justiça decretou prisão preventiva

Por Redação 23/01/2026 16h04 - Atualizado em 23/01/2026 18h06
Pai é preso após desviar R$ 113 mil que seriam para tratamento de bebê amputado em AL
Bebê de um ano e cinco meses teve os membros amputados devido a uma pneumonia grave - Foto: Reprodução

O Ministério Público de Alagoas (MPAL), por meio da Promotoria de Justiça de Murici, denunciou na manhã desta sexta-feira (23) João Victor dos Santos Oliveira por desviar recursos arrecadados para o tratamento do próprio filho, Noah Gabriel Ferreira dos Santos, de apenas 1 ano e 5 meses, que teve braços e pernas amputados em decorrência de uma pneumonia grave.

O acusado é réu confesso e teve a prisão preventiva decretada e cumprida no início da tarde.

Segundo a denúncia, João Victor se apropriou de cerca de R$ 113 mil doações feitas por moradores de Murici e de outras cidades, mobilizados por campanhas solidárias, rifas e até divulgações em programas de televisão. 

O dinheiro deveria ser usado para custear o tratamento médico e a futura colocação de próteses, fundamentais para garantir qualidade de vida à criança.

A promotora de Justiça Ilda Regina, responsável pela ação, classificou o caso como “estarrecedor e triste”.

“Trata-se de uma criança que já sofreu muito, tendo os membros amputados por um grave quadro de saúde. A sociedade se comoveu e ajudou financeiramente, mas o genitor agiu com frieza e absoluta irresponsabilidade”, afirmou.

Dinheiro gasto em apostas, drogas e luxo


De acordo com o MP, enquanto a mãe da criança, Mikaelle Ferreira dos Santos, acompanhava o filho internado em Maceió, João Victor abriu uma conta bancária em nome do bebê, na Caixa Econômica Federal, declarando-se representante legal. Por essa conta passaram as doações.

Quando Noah passou a precisar dos recursos para iniciar a fase de reabilitação e colocação de próteses, a mãe procurou o pai e descobriu que quase todo o dinheiro havia desaparecido. Dos R$ 133 mil arrecadados, restaram apenas R$ 300 na conta.

Em depoimento, João Victor confessou que gastou os valores em plataformas de apostas online, incluindo o chamado “jogo do tigrinho”, além de alugar um carro por 28 dias e comprar maconha e cocaína.

Crimes e prisão preventiva


Diante dos fatos, o MPAL solicitou a instauração de inquérito policial, que foi concluído e encaminhado à Justiça. João Victor foi denunciado pelos crimes de furto qualificado, estelionato contra vulnerável e abandono material, com pedido de prisão preventiva, acolhido pela juíza titular da comarca de Murici.

“Ele demonstrou não se preocupar com o filho, ignorando suas necessidades básicas de tratamento e sobrevivência”, destacou a promotora.

O caso gerou forte comoção e revolta na população local.