Internacional
Avanço democrata no Congresso pode restringir política externa de Trump
Em entrevista à Sputnik, o jornalista e jurista norte-americano Andrew Napolitano avaliou que os resultados das eleições legislativas nos EUA podem modificar o equilíbrio de poder em Washington e impor obstáculos relevantes à agenda da Casa Branca. Segundo ele, os democratas têm boas chances de assumir o controle da Câmara dos Representantes e, possivelmente, do Senado.
"É quase certo que os democratas terão o controle da Câmara e, provavelmente, do Senado", afirmou Napolitano. Para o analista, caso o partido controle as duas casas do Congresso, passará a comandar as decisões orçamentárias, o que pode limitar de forma séria e profunda a capacidade de Trump de travar uma guerra no Irã, fornecer ajuda ilimitada a Israel ou prestar assistência ao regime de Zelensky em Kiev.
Napolitano ressaltou que, mesmo que os republicanos mantenham o Senado e os democratas conquistem apenas a Câmara, ainda existiriam mecanismos para dificultar as ações do presidente. No entanto, destacou que a capacidade de pressão seria menor do que se o controle fosse simultâneo das duas casas legislativas.
O jurista também argumentou que a principal preocupação de Trump vai além das disputas orçamentárias e de política externa. Segundo ele, o presidente teme o desgaste provocado por investigações parlamentares conduzidas pela oposição, que podem consumir tempo e energia política da administração.
"O maior receio de Trump é a perda de tempo e o constrangimento pessoal decorrentes das intermináveis investigações que os democratas, na Câmara, provavelmente conduzirão", disse Napolitano. Na avaliação do jurista, esse processo desviaria a atenção do presidente da condução da política externa.
Como exemplo, ele citou a possibilidade de o Congresso restringir a atuação de particulares em negociações diplomáticas. "É possível imaginar o Congresso proibindo que particulares negociem em nome dos Estados Unidos", afirmou, acrescentando que uma medida desse tipo afastaria completamente figuras como Steve Witkoff e Jared Kushner dessas funções.
O analista também destacou que os democratas poderiam contornar um eventual veto presidencial ao incluir limitações à conduta de Trump em projetos considerados indispensáveis para o funcionamento do governo federal. Segundo Napolitano, medidas relacionadas ao financiamento do Pentágono, do Departamento de Justiça ou do sistema judiciário criariam forte pressão política para sanção da lei, mesmo que ela contivesse restrições ao próprio presidente.
