Sumido na eleição presidencial, Novo se isola com ação no TSE só para mostrar que ainda existe
Medidas do governo foram contestadas com ações antes do pleito, e nenhuma foi julgada procedente
O Novo surgiu para tentar ser diferente dos demais partidos políticos em atividade no Brasil.
Seu principal traço? O espírito de contestação. Diverge e se insurge contra tudo. Na campanha presidencial recente, foi o campeão de ações impetradas no Tribunal Superior Eleitoral, quase sempre tentando derrubar medidas do governo Lula, que rotulava de 'eleitoreiras'.
Presidido por Eduardo Rodrigo Ribeiro, o Novo agora quer aparecer 'positivamente', já que na disputa pelo Planalto, seu candidato, Romeu Zema, foi um dos lanternas obtendo votação de vereador.
Ainda grogue, a agremiação busca se refazer e superar o fracasso eleitoral com uma ação, mais uma, em que pede a cassação de Lula e Geraldo Alckmin por "abuso de poder político". Ricardo Villas Bôas. Corregedor do STF, admitiu os termos da inicial e abriu investigação.
Trata-se de um recurso inócuo, sem futuro, dentre outras, pelas seguintes razões:
1 - O próprio Tribunal Superior Eleitoral já se manifestou reconhecendo a eleição de Lula e Alckmin como legal e legítima, sem irregularidades.
2 - Dos 30 partidos registrados no TSE, 27, incluindo o PL de Flávio Bolsonaro, também reconheceram a vitória de Lula.
3 - Nenhum ato do governo atacado, relacionado a gastos públicos, foi julgado procedente pela Justiça Eleitoral ou pelo Supremo Tribunal Federal.
4 - Quase todas as medidas contestadas pelo Novo foram adotas antes do primeiro turno. Logo, se pudessem influir no resultado das urnas, Lula não teria sido derrotado no 4 de outubro.
Em verdade, o que decretou a vitória final do presidente Lula - e isso soou claro é indiscutível - foi a estupenda e devastadora mobilização das forças governistas, contagiando as ruas e motivando o eleitorado ausente no turno inicial a comparecer para assegurar a virada de Luiz Inácio sobre Flávio.
Uma virada, aliás, com o ímpeto incontido das mídias digitais irresistíveis sob influência direta de André Janones comandando o imbatível 'Exército do Lula'.
O resto é conversa fiada de perdedor inconformado.
SÓ PARA REGISTRAR
O corregedor Villas Bôas também admitiu ações movidas por Lula e Alckmin, que podem tornar inelegíveis por oito anos tanto Flávio Bolsonaro quanto seu vice, o alagoano Alfredo Gaspar, deputado federal que ficará sem mandato e sem imunidade a partir de fevereiro próximo.
Uma das denúncias refere-se à dinheirama que Flávio cobrou e recebeu do banqueiro Daniel Vorcaro e que se destinaria a bancar o Dark Horse, filme biográfico sobre Jair Bolsonaro.
