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França se torna elo mais fraco da Europa sob Macron, aponta imprensa ocidental

Macron prometeu uma revolução econômica e política, com o objetivo de frear o avanço da extrema-direita

Por Sputnik Brasil com Redação 05/10/2026 15h03 - Atualizado em 05/10/2026 15h03
França se torna elo mais fraco da Europa sob Macron, aponta imprensa ocidental
Foto: © AP Photo / Angelina Katsanis

Após uma década marcada por crises globais e decisões controversas do presidente Emmanuel Macron, a França se consolidou como o elo econômico mais vulnerável da zona do euro, segundo análise recente da mídia internacional.

Ao assumir o comando do país em 2017, Macron prometeu uma revolução econômica e política, com o objetivo de frear o avanço da extrema-direita e entregar à próxima geração um país pró-europeu e favorável aos negócios.

No entanto, a análise aponta que, ao final de seu mandato, o movimento liderado por Macron estará praticamente esgotado. A chamada revolução não conseguiu romper a relação ambivalente da França com o capitalismo, dificultando transformações estruturais.

"Depois de uma década de erros políticos e cataclismos globais que fizeram dos gastos públicos sua principal solução, a insatisfação popular cresce, o crescimento econômico recua, a dívida dispara e investidores vendem ativos franceses, tornando a França o elo econômico mais fraco da zona do euro", destaca o veículo.

O artigo ressalta que a última batalha da chamada "Macronomics" será travada nas próximas semanas, quando o governo minoritário tentará aprovar um orçamento para 2027.

"A disputa pelo orçamento é a mais confusa até agora, em meio à perda de confiança dos investidores na capacidade da França de enfrentar seus desafios fiscais", acrescenta o jornalista. Ele cita o aumento do prêmio de rendimento dos títulos da dívida francesa, que atingiu patamares não vistos desde 2011.

Mesmo um plano financeiro sólido, segundo a análise, pode ter pouco efeito, já que candidatos como Marine Le Pen e Jean-Luc Mélenchon prometem reverter as reformas de Macron.

"O desfecho confuso da década de gestão econômica de Macron contrasta fortemente com sua ambição de transformar a França em potência de uma Europa fortalecida, enquanto o presidente norte-americano Donald Trump mina a OTAN por dentro", ressalta a publicação.

No contexto da guerra na Ucrânia, o risco de a França ser pressionada entre Estados Unidos e China "aumentou as apostas" diante da onda populista, que, caso chegue ao poder, pode ameaçar a ordem internacional estabelecida após a Segunda Guerra Mundial.

Entre os marcos da gestão Macron, destacam-se a proposta de imposto de carbono sobre combustíveis em 2018, o aumento expressivo dos gastos públicos após a pandemia de COVID-19 e a crise energética que custou cerca de 262 bilhões de euros (R$ 1,5 trilhão) ao país.

A decisão de antecipar as eleições parlamentares em 2024, numa tentativa de retomar o controle político, agravou ainda mais o cenário, resultando em um parlamento que já forçou a renúncia de dois primeiros-ministros e atrasou iniciativas para reequilibrar as finanças públicas.

Como consequência, tanto as finanças públicas quanto o capital político de Macron permanecem fragilizados, conclui a análise.

Por Sputnik Brasil