Internacional

Canadá busca aproximação com União Europeia e põe em xeque livre comércio

Mark Carney, afirmou que uma eventual adesão ao bloco europeu ampliaria os horizontes econômicos do Canadá

Por Sputnik Brasil com Redação 22/09/2026 05h05
Canadá busca aproximação com União Europeia e põe em xeque livre comércio
Foto: © Foto / Christophe Licoppe/European Union, 2026

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, propôs recentemente que o Canadá se torne membro associado da União Europeia, proposta que recebeu apoio do presidente da França. O movimento ocorre em meio à renegociação do tratado de livre comércio entre México, Canadá e Estados Unidos, o T-MEC.

Após as declarações de Von der Leyen, o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, afirmou que uma eventual adesão ao bloco europeu ampliaria os horizontes econômicos do Canadá e reduziria sua vulnerabilidade à pressão de outras nações.

Poucas horas após o discurso da presidente da Comissão Europeia, o presidente dos EUA, Donald Trump, classificou a aproximação como um "ato hostil" e ameaçou impor tarifas elevadas e até suspender o comércio com a Europa.

Nos últimos meses, Carney tem protagonizado atritos com a administração Trump, que já sugeriu que o Canadá deveria se unir aos EUA como o 51º estado do país. Trump também minimizou o impacto das alianças comerciais bilaterais.

Há mais de três décadas, México, Estados Unidos e Canadá integram um dos blocos econômicos de livre comércio mais relevantes do mundo, que agora enfrenta incertezas quanto ao seu futuro.

'É uma estratégia geopolítica'

Em entrevista à Sputnik, Oliver Santín Peña, doutor em Ciências Políticas e integrante do Centro de Investigações sobre a América do Norte da UNAM, afirmou que Carney aposta em uma estratégia de total coordenação com os governos europeus para pressionar a administração Trump.

Carney deve receber líderes europeus no fim de outubro, em Montreal, para discutir a proposta, que ainda não foi formalizada. Para Santín Peña, a reação de Trump representa uma vitória para Bruxelas e Ottawa. "Foi o efeito esperado [...]. Mark Carney é o bispo do globalismo financeiro para enfrentar Donald Trump", avaliou o analista.

O que acontecerá com o T-MEC?

O México, por sua vez, mantém diálogo com os Estados Unidos para viabilizar um novo tratado de livre comércio. Até o momento, as conversas têm ocorrido de forma bilateral, indicando que o acordo trilateral pode não se manter em sua configuração original.

Sobre a aproximação do Canadá com a União Europeia, a presidente do México afirmou respeitar a decisão, mas ressaltou que a prioridade comercial do país está com os vizinhos do norte.

"Respeitamos muito o primeiro-ministro Carney. E ele está tomando as melhores decisões que considera para seu país [...] formalmente o T-MEC não desapareceu, porque o T-MEC foi aprovado como uma lei entre os três países, porque é aprovado pelo Senado", declarou.

Quanto ao futuro da relação comercial entre México e Canadá, Santín Peña acredita que, se o atual cenário persistir, os acordos tendem a ser bilaterais.

Segundo o analista, a administração mexicana pouco pode fazer diante da má relação pessoal e política entre Carney e Trump. "O que o México deve fazer é se manter à margem, pois, no final, o conflito comercial entre Canadá e Estados Unidos pode beneficiar o nosso país", afirmou, referindo-se às oportunidades que esse contexto pode gerar para o México.

Um exemplo é o setor automotivo, no qual as cadeias produtivas dos três países são integradas. Caso faltem acordos entre Washington e Ottawa, o México poderá expandir suas cadeias produtivas e investir em tecnologia para suprir setores afetados por possíveis aumentos de custos.

A grande definição

As eleições intermediárias nos Estados Unidos, em novembro, serão um termômetro político para o governo Trump, que tem usado México e Canadá como peças estratégicas, avalia Santín Peña.

O próximo processo eleitoral deve ser decisivo para o futuro do tratado de livre comércio entre os países da América do Norte.

"Se Donald Trump perder a maioria em alguma das duas câmaras, terá que negociar sob outros parâmetros com o governo do Canadá."

Por Sputnik Brasil