Internacional
Rainha-Mãe de Tooro denuncia prisão domiciliar após escolha de novo rei
Best Kemigisa contesta escolha de novo monarca de Tooro e afirma que tropas cercaram o palácio da família real
A Rainha-Mãe do Reino de Tooro, Best Kemigisa, afirmou nesta quinta-feira (10) estar em prisão domiciliar junto a outros integrantes da família real, em meio à disputa pela sucessão do trono tradicional de Uganda.
Kemigisa é mãe do rei Oyo Nyimba Kabamba Iguru Rukidi IV, que morreu aos 34 anos enquanto fazia tratamento contra um câncer nos Estados Unidos. Ele havia assumido o trono aos três anos e permaneceu como rei de Tooro durante 31 anos.
Nesta quinta, o comitê de seleção da etnia anunciou o príncipe Edward Rukidi Kijanangoma como sucessor de Oyo. A escolha, no entanto, foi contestada por integrantes da família real.
Oyo era reconhecido pelo Guinness World Records como o monarca reinante mais jovem do mundo durante parte de seu reinado.
Testamento apresentado pela família
A princesa Ruth Komuntale, irmã do falecido rei, rejeitou a escolha do novo monarca e acusou pessoas de conspirarem contra ela e contra a Rainha-Mãe. Ela apresentou um suposto testamento escrito por Oyo em 2022.
Segundo a princesa, o documento indicaria “um filho biológico” como herdeiro do trono, embora o nome da criança não estivesse especificado.
A existência desse possível herdeiro surpreendeu integrantes da elite de Tooro, que afirmaram nunca ter ouvido falar dele. Diante disso, o comitê responsável pela sucessão decidiu não incluí-lo no processo de votação.
Rainha-Mãe denuncia cerco
Em um comunicado divulgado nesta quinta-feira, Best Kemigisa afirmou que tropas retiraram os guardas reais sem aviso e foram posicionadas ao redor do palácio.
“Não podemos sair nem receber pessoas livremente. Estamos sob prisão domiciliar”, denunciou.
A declaração ocorre em meio à transição de poder dentro do Reino de Tooro, que mantém uma monarquia tradicional mesmo sem exercer autoridade política sobre o território nacional.
Uganda é uma república e reconhece oficialmente seus reis tradicionais principalmente como autoridades culturais. Eles não possuem poder político formal.
Além de Uganda, outros países africanos mantêm estruturas de reinos tradicionais sem soberania política. Atualmente, o continente possui três monarquias soberanas: Essuatíni, Lesoto e Marrocos.
