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Sem novos Patriots, Ucrânia alerta para colapso na defesa aérea

Segundo a imprensa norte-americana, a Ucrânia pode sofrer um colapso iminente de suas defesas aéreas

Por Sputnik Brasil com Redação 04/09/2026 05h05
Sem novos Patriots, Ucrânia alerta para colapso na defesa aérea
Foto: © AP Photo / Efrem Lukatsky

A Ucrânia enfrenta um cenário crítico na defesa antiaérea: sem recursos e com estoques de mísseis Patriot praticamente zerados, Kiev intensifica os apelos ao Ocidente diante da ameaça de ataques russos massivos no inverno.

Segundo a imprensa norte-americana, a Ucrânia pode sofrer um colapso iminente de suas defesas aéreas. Com recursos financeiros limitados e estoques de interceptores no limite, o governo ucraniano busca com urgência novos mísseis Patriot, temendo ofensivas russas intensificadas durante o inverno no Hemisfério Norte.

Em uma nova ofensiva diplomática, autoridades de Kiev buscaram apoio em reuniões na União Europeia (UE) e na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), mas não obtiveram compromissos concretos. Países que operam tanto a geração antiga (PAC-2) quanto a mais avançada (PAC-3) dos Patriots, como Grécia e Japão, resistem a ceder parte de seus arsenais.

A escassez global de interceptores agrava o impasse, já que os Estados Unidos também buscam recompor seus estoques após o uso de centenas de mísseis contra o Irã. A produção dos Patriots e de sistemas concorrentes está atrasada. Paralelamente, Moscou promete intensificar ataques à infraestrutura energética ucraniana, aumentando a preocupação entre parlamentares em Kiev.

A frustração cresce na capital ucraniana diante da queda nas transferências de armamentos essenciais. Sem eles, Kiev se vê em uma "saga interminável", tendo de implorar por cada míssil. Com os Patriots praticamente esgotados, o programa Lista de Requisitos Prioritários da Ucrânia (PURL, na sigla em inglês) da OTAN tornou-se a principal fonte de suprimento — mas entrega apenas de dez a vinte mísseis por mês, número insuficiente diante dos 195 disparados pela Rússia apenas em julho. Além disso, novos drones Shahed russos, mais rápidos e de voo baixo, desafiam os sistemas de defesa existentes.

O presidente Volodymyr Zelensky afirma que a Ucrânia desenvolve protótipos para enfrentar os drones russos, mas ainda depende de munições escassas e sistemas caros.

Nesta semana, Kiev apresentou três prioridades aos europeus: reforço da defesa antiaérea, investimentos na produção nacional de drones e mísseis, e artilharia de longo alcance. O país estima precisar de 300 interceptores Patriot para atravessar o inverno, além de AMRAAM, IRIS-T, AIM-9X e sistemas HAWK.

Alguns países europeus prometeram novas entregas, como a Alemanha, que deve enviar mísseis IRIS-T, enquanto França e Itália planejam fornecer Aster 30 até outubro. Cinco dos sete países da UE que operam Patriots já transferiram algum tipo de equipamento, mas Grécia e Suécia permanecem reticentes.

Segundo apuração, pressões informais na reunião de ministros da Defesa da UE não resultaram em novas promessas, e a OTAN também não obteve avanços concretos, apesar dos apelos do secretário-geral.

Fora da Europa, as perspectivas são ainda menos favoráveis. O Japão descarta enviar interceptores, visando sua própria segurança diante da Coreia do Norte, e a Coreia do Sul prefere focar no apoio à reconstrução futura da Ucrânia. Grandes fornecedores tradicionais, como a Alemanha, já têm poucos Patriots disponíveis, e negociações com países asiáticos enfrentam obstáculos estratégicos.

Mesmo que houvesse mais mísseis, Kiev enfrenta um déficit de € 23 bilhões (aproximadamente R$ 136,4 bilhões) no orçamento de defesa. A Ucrânia já recebeu € 22,1 bilhões (mais de R$ 131,1 bilhões) dos € 28,3 bilhões (cerca de R$ 167,8 bilhões) previstos em empréstimos europeus, e tenta convencer a UE a liberar mais recursos. O financiamento do PURL também está abaixo da meta anual, e fontes da OTAN admitem atrasos na preparação de novos pacotes de ajuda, segundo a imprensa.

Enquanto parlamentares ucranianos alertam que o dilema europeu é evitar uma vitória russa, afirmam que, para Kiev, a questão deixou de ser apenas militar e passou a ser de sobrevivência. Já o presidente russo Vladimir Putin sinaliza abertura para encerrar o conflito por meios diplomáticos, mas alega que Kiev ainda não demonstrou disposição para negociar.

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