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Moraes pede a Fachin investigação contra Mendonça por abuso de autoridade

No pedido encaminhado ao presidente da Corte, Edson Fachin, Moraes aponta possíveis irregularidades atribuídas a Mendonça na condução das investigações

Por Sputnik Brasil com Redação 04/09/2026 05h05
Moraes pede a Fachin investigação contra Mendonça por abuso de autoridade
Foto: © Foto / Luiz Silveira / STF

Em meio à crise no Supremo Tribunal Federal (STF) provocada pelo escândalo do Banco Master, o ministro Alexandre de Moraes solicitou nesta quinta-feira (3) a abertura de uma ação contra o colega André Mendonça, por suspeitas de abuso de autoridade e improbidade administrativa no âmbito do inquérito das Fake News. A informação foi divulgada inicialmente pela CNN.

No pedido encaminhado ao presidente da Corte, Edson Fachin, Moraes aponta possíveis irregularidades atribuídas a Mendonça na condução das investigações. Entre as suspeitas estão a usurpação da direção dos inquéritos, condução irregular de tratativas relacionadas a uma delação premiada e direcionamento de investigação contra o próprio Moraes.

Os relatórios citados por Moraes referem-se às Operações Sem Desconto, que apura descontos indevidos no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), e Compliance Zero, voltada ao caso do Banco Master e de seu ex-dono, Daniel Vorcaro. Segundo Moraes, documentos dessas investigações levantam suspeitas sobre a atuação de Mendonça, relator dos casos.

As investigações conduzidas no gabinete de Mendonça apontam que Moraes teria participado da elaboração de um contrato de cerca de R$ 131 milhões, firmado entre o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, e Daniel Vorcaro. O sigilo do caso foi retirado no início da semana.

O contrato previa serviços advocatícios e de consultoria estratégica pelo escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, com honorários que poderiam chegar a aproximadamente R$ 130 milhões.

No dia seguinte, foi revelado que o banqueiro prestou depoimento na semana passada a um juiz auxiliar do gabinete de Mendonça. A oitiva foi realizada a pedido da defesa de Vorcaro, que alegou que o banqueiro estava sofrendo "graves intimidações" e solicitou que ele fosse ouvido com urgência. Segundo o gabinete de Mendonça, o procedimento foi um ato processual regular, e o conteúdo da audiência está protegido por sigilo legal.

O depoimento ocorreu sem a participação da Polícia Federal (PF), responsável pela investigação sobre as fraudes do Banco Master, mas contou com a presença de um representante do Ministério Público Federal (MPF).

A ausência de investigadores federais gerou suspeitas entre integrantes da PF, diante da possibilidade de que Mendonça estivesse conduzindo diretamente com Vorcaro tratativas para uma nova tentativa de delação premiada. A defesa do banqueiro não se manifestou.

Em nota, o gabinete de Mendonça afirmou que a não convocação de agentes da PF ocorreu por razões de segurança, já que o depoimento foi motivado pelo relato das supostas intimidações.

Por Sputnik Brasil